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Quem será o vilão, se os EUA realmente declararem guerra à Coreia do Norte?

© AP Photo / U.S. NavyIn this image released by the U.S. Navy, the aircraft carrier USS Carl Vinson, flanked by South Korean destroyers, from left, Yang Manchun and Sejong the Great, and the U.S.Navy's Wayne E. Meyer and USS Michael Murphy, transit the western Pacific Ocean Wednesday, May 3, 2017.
In this image released by the U.S. Navy, the aircraft carrier USS Carl Vinson, flanked by South Korean destroyers, from left, Yang Manchun and Sejong the Great, and the U.S.Navy's Wayne E. Meyer and USS Michael Murphy, transit the western Pacific Ocean Wednesday, May 3, 2017. - Sputnik Brasil
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Uma opção militar não é uma solução para a crise coreana, escreveu o colunista do jornal russo Vzglyad, Pyotr Akopov. O que inicialmente surgiu como uma ferramenta de pressão sobre China está prestes a se tornar um risco para a paz mundial, acrescentou o jornalista.

Apesar dos principais meios de comunicação e os políticos dos EUA continuarem a desenvolver a narrativa sobre os supostos "traços russos" na campanha presidencial norte-americana do ano passado, é improvável que as tensões entre Washington e Moscou resultem em um confronto nuclear total, notou o comentarista do jornal russo Vzglyad. Ele enfatizou, entretanto, que as ações provocativas de Washington para com a Coreia do Norte são uma outra história.

Durante uma entrevista para a emissora NBC nesta terça-feira, o senador Lindsey Graham afirmou que o presidente dos EUA considera a guerra com a Coreia do Norte como uma opção.

"Existe a solução militar: destruir o programa [nuclear] da Coreia do Norte e a própria Coreia do Norte. Isso está sendo adiado há 20 anos", disse o senador.

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Já o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, John Bolton, disse à Fox News na sexta-feira que os EUA deveriam "reunificar a Península Coreana" e considerar uma opção militar contra Pyongyang.

De acordo com o colunista do Vzglyad, Pyotr Akopov, a questão da Coreia do Norte surgiu inicialmente como uma ferramenta para de chantagem contra a China. Parece que alguém persuadiu o presidente dos EUA de que esta seria a melhor maneira de exercer pressão sobre Pequim, observou Akopov.

De fato, aos olhos de Washington, a questão coreana não é tão controversa como a questão do Taiwan, observou o jornalista.

"Se Trump continuasse a chantagear a China com a possibilidade de descongelar a questão de Taiwan (isto é, rever a Política de Uma China), isso resultaria em uma paralisia das relações entre Washington e Pequim. Xi Jinping não conversaria com um presidente dos EUA cujo objetivo fosse minar a base das relações entre a China e os Estados Unidos", explicou Akopov.

Ainda assim, os esforços da administração do Trump para vencer a queda de braço com Pequim na questão da Coreia do Norte também não geraram frutos.

"O que Trump queria? Ele queria que a China trouxesse a Coreia do Norte numa bandeja de prata e forçasse Pyongyang a interromper o programa nuclear ou mesmo a mudar de regime? Nenhuma dessas opções é possível. Mesmo se Pequim, por algum motivo, decidisse fazer um presente desses para os americanos", escreveu Akopov.

O jornalista assumiu que Trump pretendia forçar Pequim a se desculpar pelo aliado e depois oferecer concessões comerciais consideráveis. Se o plano funcionasse, Trump teria sido anunciado como o político que resolveu a crise coreana.

O problema é que esta abordagem está completamente distante da realidade, ressaltou o jornalista, acrescentando que os políticos dos EUA têm pouca compreensão da situação na Coreia e das relações entre Pyongyang e Pequim.

Dessa forma, a retórica belicista da administração Trump é ao mesmo tempo ridícula e perigosa.Por um lado, ninguém em sã consciência acredita que Pyongyang pretende realizar um ataque nuclear preventivo contra os EUA. Por outro lado, o entusiasmo dos falcões dos EUA quanto à possibilidade de uma guerra entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos suscita sérias preocupações.

Nesta foto sem data que foi divulgada pela Agência Central de Notícias da Coreia do Norte em Pyongyang no dia 7 de Março de 2017, o líder da Coreia do Norte Kim Jong-un supervisou o lançamento de mísseis balísticos das unidades da artilharia de Hwasong das Forças Estratégicas do Exercito Popular da Coreia - Sputnik Brasil
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Ao longo dos últimos meses, Washington vem intensificando a pressão sobre a Coreia do Norte, enquanto Pyongyang intensifica as atividades no âmbito do seu programa nuclear como resposta.

Pyongyang justifica suas ações com o argumento de que a dissuasão nuclear é a única garantia da soberania do país.

Akopov apontou que, embora a China e a Rússia tenham repetidamente condenado a Coreia do Norte por seus testes de mísseis, Moscou e Pequim acreditam que a questão deve ser resolvida por meios diplomáticos.

À luz disto, os espetaculares exercícios militares dos EUA nas proximidades das fronteiras da Coreia do Norte estão apenas alimentando o incêndio, advertiu o jornalista.

A pergunta que surge é se Pyongyang é o verdadeiro culpado da crise na região.

"A ameaça real para a paz seria um potencial ataque dos Estados Unidos contra a Coreia do Norte, um país que não representa uma ameaça para os Estados Unidos, mas, pelo contrário, vive há 65 anos na mira da armas americanas", concluiu Akopov.

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