Poderiam Índia e China chegar a um confronto militar?

© AFP 2022 / DIPTENDU DUTTAUm soldado patrulhando na parte chinesa da antiga fronteira Nathu La, que liga o setor indiano de Sikkim e a região autônoma do Tibete na China (foto de arquivo)
Um soldado patrulhando na parte chinesa da antiga fronteira Nathu La, que liga o setor indiano de Sikkim e a região autônoma do Tibete na China (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Nesta semana, aumentou a tensão entre a Índia e a China na área disputada de Doklam, que fica na fronteira entre a Índia, Butão e região autônoma do Tibete (na China). Vasily Kashin, especialista militar russo, comentou a situação para a Sputnik China.

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A crise na fronteira sino-butanesa, acompanhada pela disputa entre tropas chinesas e forças indianas, responsáveis pela segurança do Butão, ocorreu no momento mais inapropriado para Pequim, acredita especialista, citando o próximo congresso do Partido Comunista da China e uma cúpula do BRICS que terá lugar em setembro. Por um lado, a China está interessada em realizar um evento a alto nível, por outro lado, as autoridades chinesas não podem permitir que o país pareça fraco.

O especialista acredita que o conflito não foi provocado pelos chineses propositalmente, pois a construção, realizada por eles na área disputada, não causava tais consequências antes. Enquanto para a Índia, sublinha Vasily Kashin, as ações de Pequim poderiam parecer agressivas.

"A Índia está preocupada com a influência crescente da China nos menores países da Ásia do Sul. O Butão tem relações especiais com a Índia, no âmbito das quais a última é responsável pela segurança e laços exteriores do país. Nos últimos anos, o Butão vem aumentando sua independência nas relações exteriores, o que causou preocupações da parte indiana", explicou.

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O Butão não é o único com quem a China tem aumentado cooperação econômica e técnico-militar. Bangladesh e Sri Lanka entram na lista e isso tampouco agrada a Índia, acrescentou.

No entanto, frisa o especialista, nenhum dos países está interessado em agravar a concorrência, porque a China não quer afastar a Índia, empurrando-a para estreitamento de cooperação com os EUA na esfera de segurança.

Nova Deli, por sua vez, não possui indústria e exército que possam igualar aos de Pequim.

"Se [a China] deslocar para o Tibete de modo permanente forças adicionais, em especial, unidades das forças de mísseis do Exército de Libertação Popular, a Índia provavelmente terá que tomar medidas de resposta extremamente onerosas, mas mesmo estas, mais provavelmente, não garantirão a segurança do país", contou o especialista para a Sputnik China.

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Entretanto, vários jogadores internacionais, de acordo com Vasily Kashin, estão interessados em agravar a tensão entre os dois países. Nomeadamente, no dia 16 de julho, a mídia do Paquistão divulgou notícias falsas sobre alegado ataque chinês contra um posto fronteiriço indiano.

Para o analista, é muito importante que Pequim e Nova Deli cheguem a um compromisso, pois uma concorrência ativa pela influência na região afetará ambas as partes.

"Tal concorrência prejudicará os laços econômicos sino-indianos cada vez mais importantes e com o tempo pode se transformar em um confronto militar", concluiu.

As relações entre a China e a Índia se agravaram no fim de junho depois de um grupo de guardas de fronteira indianos ter atravessado a fronteira chinesa ilegalmente no setor de Sikkim. Segundo a parte chinesa, isso impede a atividade dos guardas de fronteira da China na área de Doklam, região autônoma de Tibete. Depois disso, a China advertiu a Índia diversas vezes para retirar as suas tropas do território chinês.

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