Newsweek é obrigada a deletar reportagem fabricada sobre relação entre Trump e a Sputnik

© AFP 2022 / NICHOLAS KAMMExemplar da revista Newsweek em uma loja em Washington, EUA, 2014 (foto de arquivo)
Exemplar da revista Newsweek em uma loja em Washington, EUA, 2014 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A revista Newsweek deletou dois artigos fabricados pelos jornalistas Kurt Eichenwald, após um acordo legal alcançado com um ex-jornalista da Sputnik. A revista acusava a agência de notícias russa de conluio com a campanha do presidente americano Donald Trump.

Durante a campanha presidencial de 2016, Eichenwald trabalhou acompanhando os passos do então candidato Donald Trump. Ele afirmou mentirosamente que Donald foi admitido em uma clínica psiquiátrica, mas não foi capaz de apresentar qualquer evidência do que denunciou. O repórter foi um dos primeiros a acusar Trump de ser "um espião russo" e chegou a inventar uma suposta ligação da agência com o WikiLeaks. Eichenwald ainda disse que os funcionários da Sputnik eram espiões, não jornalistas.

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Foi esta última afirmação que levou o repórter à justiça e obrigou a publicação a deletar duas reportagens muito compartilhadas nas redes sociais: "Dear Donald Trump and Vladimir Putin, I am not Sidney Blumenthal" (Caro Donald Trump e Vladimir Putin, não sou Sidney Blumenthal), em referência ao ex-assessor sênior e amigo pessoal dos Clinton e "How I Got Slimed by Russian Propaganda Site Sputnik" (Como fui prejudicado pelo site de propaganda russa Sputnik).

Tudo começou quando o ex-repórter da Sputnik, William Moran, atribuiu por engano um artigo de Eichenwald como sendo de Blumenthal. O artigo com a informação incorreta ficou no ar por 20 minutos, tempo o suficiente para que o jornalista percebesse o erro e deletasse o texto do site. O erro, porém, foi reproduzido por Trump em um discurso, o suficiente para que o contratado da Newsweek moldasse a história de conspiração entre a agência e os republicanos.

Moran entrou em contato com Eichenwald para se explicar e solicitar uma retratação, mas ao invés disso recebeu uma oferta de trabalho na famosa The New Republic em troca de deixar as coisas como estavam. Ao negar o emprego, Moran preferiu ir a público, detalhar o ocorrido e denunciar a mentira. O jornalista da Newsweek preferiu ir a dezenas de programas de TV reproduzindo a história do conluio entre a Sputnik e Trump.

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Moran deixou a Sputnik após o escândalo. Recentemente graduado em Direito pela Universidade de Georgetown, ele decidiu adotar ações legais contra a Newsweek e, apesar de enfrentar uma equipe de advogados altamente remunerados, conseguiu levar a publicação on-line a um acordo humilhante obrigando-a a derrubar as reportagens contestadas.

Em um comunicado, Moran informou: "O processo foi resolvido de forma amigável e com toda a satisfação. Após o acordo, a Newsweek removeu as duas reportagens. Eu protocolei este caso antes de ser licenciado como advogado e lutei contra a mega empresa de advocacia Pepper Hamilton (uma empresa com 13 escritórios e mais de 500 advogados)".

Os termos do acordo não foram revelados porque a Newsweek exigiu confidencialidade.

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