Para especialista, ao enviar armas ao Qatar, Irã dará pretexto para guerra aos sauditas

© AFP 2022 / ISNA / Amin KhoroshahiMilitares iranianos se preparam para lançar um míssil Hawk de classe terra-ar durante exercícios militares
Militares iranianos se preparam para lançar um míssil Hawk de classe terra-ar durante exercícios militares - Sputnik Brasil
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Teerã ajudou Doha com remessas alimentares após alguns países árabes introduzirem sanções contra o Qatar. Alguns analistas não excluem também a possibilidade de ajuda militar e técnico-militar. O especialista russo Vladimir Sazhin comentou a situação para a Sputnik Persa.

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O Irã exporta para vários países alguns tipos de armamento, principalmente armas de fogo ligeiras e munições, morteiros, lançadores múltiplos de foguetes e alguns outros artigos.

O especialista em assuntos do Oriente, Vladimir Sazhin, falou à Sputnik Persa sobre uma possível cooperação militar entre os dois países.

"O Irã apoiou logo o Qatar. O emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, teve uma conversa telefônica com o presidente do Irã, Hassan Rouhani. O presidente iraniano assegurou seu interlocutor que o Irã iria 'ficar ao lado do Qatar'. Mas será que as hipotéticas remessas de armas salvarão Doha em caso de conflito mesmo que apenas com Riad? É uma boa pergunta."

O total das Forças Armadas do Qatar são constituídas por 12,5 mil militares, enquanto os recursos de mobilização compreendem 324 mil homens, continua Sazhin. Enquanto o número das Forças Armadas da Arábia Saudita, incluindo a guarda nacional e unidades paramilitares, supera os 220 mil efetivos com 5,9 milhões de reserva de mobilização.

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Há possibilidade que o Irã forneça às Forças Armadas do Qatar "voluntários", "instrutores" e "conselheiros". Para a Arábia Saudita e seus aliados isto seria um casus belli, ou seja, um pretexto para declarar guerra ao Irã. Porém, o próprio Irã, mais provavelmente, não será capaz de participar de tantos conflitos militares (Iraque, Síria, Iêmen, e agora o Qatar).

Será que Riad aproveitará sua vantagem quantitativa? É duvidoso. Mesmo assim, há chances que a tensão vá aumentar. Ancara já enviou para a sua base cinco mil militares turcos. O governo do Egito decidiu enviar uma fragata ao golfo Pérsico para controlar a situação na região e agir sem demora caso seja necessário.

No entanto, segundo acredita o especialista, tudo isso é uma demonstração de força que, o mais provável, não será posta em prática. Mesmo assim, os analistas devem levar em consideração quaisquer cenários, por mais irrealistas que pareçam. Entre eles, o de um confronto entre a coalizão anti-Qatar com as forças unidas do Qatar, da Turquia, que pertence à OTAN, e do Irã. Mas esta será uma catástrofe não regional, mas global, pensa o especialista.

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Vladimir Sazhin lembra que no Qatar existe uma a base aérea dos EUA, Al-Udeid, a maior base aérea norte-americana na região. Ao mesmo tempo, no Bahrein, aliado da Arábia Saudita no conflito com o Qatar, se baseia a 5ª frota dos EUA.

O especialista espera que o novelo de contradições entre os países árabes e também árabe-iranianas e entre xiitas e sunitas não exploda, formando uma nova zona de operações militares sangrentas com consequências imprevisíveis.

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