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Empresários de Brasil e Argentina dão passo contra 'Cordilheira dos Andes da burocracia'

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Uma reunião realizada nesta semana entre empresários de Brasil e Argentina pode trazer benefícios a pequenos e micro empreendedores dos dois países, altamente impactados por uma “Cordilheira dos Andes da burocracia” que envolve as relações bilaterais.

A metáfora foi feita em Curitiba, palco do encontro entre membros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Confederação Argentina da Empresa Média (Came), realizado na tarde da última segunda-feira.

A realização do encontro no Paraná não foi ao acaso: o estado é o principal caminho de entrada e saída de mercadorias com o país vizinho, em razão da Tríplice Fronteira em Foz do Iguaçu, no oeste paranaense.

“O Paraná quer pular a fronteira. A fronteira é seca, dá para pular fácil, mas nós criamos uma ‘Cordilheira dos Andes de burocracia’. Hoje mesmo brincaram aqui que, para exportar para a Argentina, vai um contêiner de mercadoria e mais um de papel de burocracia”, disse o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, por meio da sua assessoria.

“Isso tem que ser eliminado, com um acordo entre os dois países e apoio dos empreendedores. Temos que ter um livre trânsito de mercadorias, como ocorre na União Europeia”, completou Afif.

Propostas

De acordo com um estudo, encomendado pelo Sebrae ao Instituto Aliança Procomex, há hoje 142 entraves para o comércio exterior de pequenos negócios brasileiros, mais de 60 deles nas relações comerciais entre Brasil e Argentina.

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Para vencê-los, algumas propostas foram levadas pelo Sebrae ao encontro, como a instituição da figura do operador logístico internacional, que auxilia no desafio da travessia das mercadorias; o uso da moeda local, uma vez que a conversão direta já é regulamentada no Mercosul; e o estabelecimento de aduanas especializadas no tratamento para pequenas empresas.

“A venda, muitas vezes, pode ocorrer até pelas redes sociais, mas um dos grandes entraves é a entrega de mercadorias. Temos que fazer um elenco das medidas em absoluto acordo entre nós, para levar aos governos no intuito de iniciar um tratado bilateral”, comentou o presidente do Sebrae.

Em nota, a Came reforçou o entendimento de que existe burocracia em excesso na relação bilateral citando, por exemplo, que “nas fronteiras de Brasil e Argentina, o tempo médio para a liberação de um caminhão é de 15 dias”.

Tais sugestões, de acordo com o Sebrae, podem ajudar a pôr fim a uma triste realidade: sete entre dez micro e pequenas empresas brasileiras que conseguem vender para fora do país desistem de permanecer exportando, dadas as dificuldades atuais, de acordo com levantamento da entidade.

O encontro em Curitiba foi mais um capítulo do processo de facilitação do comércio bilateral envolvendo pequenas empresas do Brasil e da Argentina. O encontro foi um desdobramento do ‘Seminário Pymes Brasil-Argentina: Simplificación de Nuestro Comercio’, realizado em maio, em Buenos Aires, que discutiu soluções para os gargalos que travam o comércio entre os dois países.

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