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Senadores apontam para 'erro histórico' de Michel Temer

© AP Photo / Ricardo BotelhoMichel Temer fala em 18 de maio de 2017 anunciando que não iria renunciar ao seu cargo, após a divulgação da gravação da conversa com Joesley e Wesley Batista
Michel Temer fala em 18 de maio de 2017 anunciando que não iria renunciar ao seu cargo, após a divulgação da gravação da conversa com Joesley e Wesley Batista - Sputnik Brasil
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Para vários observadores, o processo de 2016 se repete. Após a divulgação da conversa de Joesley e Wesley Batista, da JBS, com o presidente da República Federativa do Brasil, Michel Temer, o próprio foi alvo de três pedidos de impeachment. Até houve vozes exigindo que renunciasse ao seu cargo.

Mas na quinta-feira (18) Temer disse que não ia renunciar. Para o senador Cristovam Buarque (PSD-PE), a declaração do presidente foi "um grave erro, um erro histórico – salvo se ele provar que tudo isso que se está falando é mentira".

Falando à Sputnik Brasil, Buarque apresentou a sua versão do discurso que o presidente, segundo ele, deveria ter pronunciado:

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"Consegui que a economia começasse a recuperar, que a inflação baixasse, que o dólar caísse. Mas aconteceram circunstâncias que tiraram a minha credibilidade para continuar sendo presidente. Quero sair do governo. Eu coloco o meu cargo ao serviço do Brasil saindo dele, como eu já coloquei ao serviço do Brasil entrando nesse cargo. Vou dar os dias que o Congresso precisar para encontrar o caminho melhor possível para a minha substituição dentro da Constituição. E aproveito para fazer um apelo, dizendo a todos os brasileiros que o Brasil é maior que qualquer presidente, especialmente eu próprio, que inclusive cheguei aqui sem eleição direta. E apelo aos homens de negócio, aos sindicalistas, aos trabalhadores brasileiros e aos capitalistas a que não se deixem levar pelo pessimismo nesse momento. Seja qual for a solução constitucional, o Brasil vai encontrar o seu caminho. A economia tem que voltar a crescer, retomar o emprego, manter a inflação baixa, e o Brasil conta comigo, mas não mais na Presidência da República. Foi uma honra receber o Brasil na presidência."

Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), a decisão do presidente de se manter na presidência foi um "erro" também. Requião foi mais curto do que Cristovam Buarque e só disse na entrevista à Sputnik Brasil que o "Brasil precisa fazer exagerar uma grande discussão política".

"Essa denúncia da JBS mostrou com toda clareza que a corrupção é endêmica nas cúpulas de regência da política e no empresariado brasileiro. O povo não pode comportar isso mais", frisou o senador.

O presidente da República ficou no centro de um escândalo após a divulgação, na quarta-feira (17), de uma gravação em que Michel Temer responde com um "Tem que manter isso, viu?" às palavras de Joesley e Wesley Batista, da JBS, que tinham mencionado, naquela mesma conversa, uma mesada paga ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e ao operador Lúcio Funaro.

Assuntos de ministros

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No entanto, hoje (19), o presidente Michel Temer vai se encontrar com o ministro da Defesa Raul Jungmann e os comandantes das Forças Armadas. A previsão inicial era para amanhã, mas afinal a reunião ficou reprogramada para as 17h.

Segundo afirma a revista Veja, "os militares demonstrarão solidariedade ao presidente" após o escândalo.

A Sputnik Brasil perguntou ainda ao senador Cristovam Buarque sobre os ministros do PSD que ficam ou não ficam no governo, ao que ele respondeu o seguinte:

"Há uma diferença entre os ministros em geral e dois: o ministro da Fazenda e o ministro da Defesa. Esses dois ministros neste momento da História não devem ser partidários. Eles devem ser ministros da República, do Brasil, da instituição Brasil. Por isso eu acho certo que o ministro Jungmann continue, não como militar do PT, como cidadão que hoje encarna a seriedade, a segurança das instituições militares, a disposição da segurança nas cidades brasileiras, como tem sido feito —  a gente viu há pouco — em Vitória. O mesmo eu digo para Meirelles. Meirelles não deve estar aí pelo partido, mas sim porque o Brasil precisa da continuidade, da seriedade, do rigor. Então por isso eu acho que Jungmann e Meirelles devem continuar. Roberto Freire eu acho que fez bem em sair."

© Foto / Agência BrasilO ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, durante plenária na 20ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, durante plenária na 20ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios - Sputnik Brasil
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