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Day after de Curitiba: Lula deve poder se candidatar em 2018

© Ricardo StuckertManifestantes se agitam em torno do ex-presidente Lula em Curitiba
Manifestantes se agitam em torno do ex-presidente Lula em Curitiba - Sputnik Brasil
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Quem ganhou o combate Lula x Moro? O que mudou em relação ao ex-presidente Lula após o depoimento de quase 5 horas que prestou nesta quarta-feira ao Juiz Federal Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato? Lula saiu melhor ou pior do embate com Sérgio Moro?

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A presença, nas ruas de Curitiba, de manifestantes de organizações sociais e sindicais e de parlamentares de peso mostra que Lula mantém sua força política inalterada. Lula ainda pode manter o seu favoritismo para a eleição presidencial de 2018. Essa é a opinião do deputado Afonso Florence (PT-BA) e do advogado criminalista Jonas Tadeu Nunes, que conversaram com Sputnik sobre o tema. 

"Eu assisti toda a gravação pela internet. Em primeiro lugar, nem era para o presidente Lula estar lá. Ele não deveria ter sido convocado. As provas substantivas não tem robustez para chamar um ex-presidente da república. Não há nenhuma prova. E o presidente Lula disse isso, você tem que me apresentar alguma prova. O que não pode é o juiz Moro apresentar um contrato que não tem nenhuma assinatura", alegou o deputado petista, Afonso Florence.

"As respostas do presidente Lula foram muito precisas, serenas. Eventualmente ele foi um pouco mais incisivo, quando citou ao juiz Moro os excessos e as situações quando Moro desrespeitou a lei", afirmou o parlamentar.

Segundo ele, politicamente, o evento foi positivo para o ex-presidente, que saiu fortalecido do episódio, com forte apoio popular.

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"Considero que a defesa saiu maior e a acusação e o juiz Moro menores. E mais uma vez vimos a consciência política das massas. Estavam em Curitiba as lideranças que não são do PT e nunca foram. Que foram oposição ao governo Lula, que foram oposição ao governo Dilma, e assim como lutaram contra o impeachment, lutam agora pelo respeito às garantias individuais do presidente e dos brasileiros e das brasileiras em geral", declarou Afonso Florence.

"Ele sai muito mais fortalecido, o que não quer dizer que agora a Lava Jato vai andar no trilho da lei. Ficou claro que este é um embate político, ficou claro que o comportamento do juiz Moro tem conotação política, ficou claro que não tem prova. Então, o julgamento do Moro, se correr no âmbito do devido processo legal, sem provas, será pela inocência. Tudo o que ele fez até o momento, no entanto, nós leva a crer que ele seja capaz de uma condenação sem provas. Mas ficou muito nítido pro Brasil, e hoje nós já tivemos um pronunciamento do ministro Marco Aurélio, do Supremo, que não há motivo para a prisão do presidente Lula. Portanto, ficou nítido que no Brasil, em particular no âmbito da Lava Jato, os procedimentos de investigação, de condução e da apreciação do pedido de abertura de processo, no caso a atuação do Ministério Público e da Justiça, do juiz Moro, do procurador Dallagnol, têm contaminação política. Parece que, no caso do presidente Lula, quanto mais se ataca ele sem prova, mais a população se solidariza. Quanto mais evoluem os resultados do presidente Temer, a população cria mais intenção de votar no presidente Lula. Portanto ele saiu muito maior e o Moro muito menor do depoimento de ontem", concluiu o interlocutor da agência.

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Já o advogado criminalista Jonas Tadeu Nunes considerou o depoimento legítimo. 

"Esta é primeira ação aberta pelo juiz contra o ex-presidente. O seu interrogatório foi conduzido, ao meu ver, de maneira correta pelo juiz Moro, e também as interferências feitas pelo advogado de Lula, pela defesa do ex-presidente, foram corretas, foram cabíveis e foram procedentes", disse o advogado.

"Então agora, depois do interrogatório, vem a fase das alegações finais. São dez dias para o ministério público e dez dias para a defesa. Então após a entrega dessas alegações finais, o juiz Moro pode proferir uma sentença depois de 48 horas, o que também pode levar meses", explicou o jurista.

Segundo ele, todavia, o processo não deve ameaçar a candidatura do líder petista nas eleições presidenciais de 2018.

"A grande dúvida de todos é se o ex-presidente poderá ser candidato [nas eleições presidenciais de 2018]. Eu acredito que sim. Pelo lapso que vai ocorrer entre a sentença de Moro, o eventual recurso e a análise desse recurso pelo TRF, pelo Tribunal Regional, com sede em Porto Alegre, acredito que dê tempo sim para que o ex-presidente saia candidato novamente. Ele só não poderá ser candidato quando o TRF, por unanimidade, ou mesmo por uma maioria de votos, decidir que ele é réu e que está de fato condenado, ou seja, confirmando uma eventual sentença condenatória do juiz Moro. Neste caso ele não poderia sair candidato", concluiu o especialista contatado pela Sputnik Brasil.

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