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Esse som é do Afeganistão ou da Síria? É do Rio de Janeiro, do Complexo do Alemão (VÍDEO)

© Bruno Itan/ Fotos PúblicasComplexo do Alemão, Rio de Janeiro
Complexo do Alemão, Rio de Janeiro - Sputnik Brasil
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Em um vídeo de um minuto e meio, chamado de “O Som da Guerra”, produzido pelo jornal “Voz da Comunidade”, é possível ver a reação das pessoas ouvindo os sons gravados em confrontos no Complexo do Alemão no dia 27 de abril. Em dois dias o vídeo viralizou nas redes sociais.

Há 11 anos atuando no Complexo de Favelas do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, o jornal “Voz das Comunidades” fez um experimento pelas ruas da cidade. Gravou sons de tiros, rajadas de metralhadoras e explosões que acontecem no Alemão e pediu que pedestres na zona sul do Rio identificassem de onde seriam esses tiros. A maioria disse que o áudio era de confrontos no Oriente Médio, como na Síria, Iraque e no Afeganistão.

​Sputnik Brasil conversou sobre o vídeo e a situação no Complexo do Alemão com Maria Morganti Pinheiro, Chefe de Reportagem do Jornal Comunitário Voz das Comunidades. Ela  foi produtora e repórter do vídeo.

"A ideia do vídeo surgiu em função das últimas semanas. Teve operação para colocar a base blindada da UPP e muitos conflitos aconteceram a partir disso. Em uma semana cobrimos três enterros. Por três vezes a equipe de jornalismo da Voz da Comunidade teve que ir até o cemitérios de Inhaúma cobrir enterro. Então a gente falou, isso não é normal. Então o publicitário e voluntário Pedro Portugal teve a ideia de fazer algo diferente. Sentimos a necessidade de mudar a narrativa para que isso fosse percebido", disse a jornalista.

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"Então nós fomos para a rua, num dia nublado, para ouvir as pessoas, perguntar de onde elas achavam que era [o tiroteio]. O que a gente queria na verdade era chamar a atenção. Porque, desde que os confrontos mais intensos começaram, ninguém estava falando nada. O governador não estava falando, o presidente não estava falando. Então a gente entendeu que, para chamar a atenção, precisamos adotar uma outra narrativa. Daí veio o vídeo", explicou Maria Morganti Pinheiro. 

Segundo a Voz da Comunidade, somente na manhã desta quinta-feira, quatro pessoas foram baleadas e mortas no Complexo do Alemão. Além disso, a operação policial provocou interrupção no transporte público nos arredores.

​"A gente conseguiu. O Pezão se reuniu com Temer. Só que a gente não quer mais investimento em segurança. A gente quer questionar a política de segurança que não deu certo. Os investimentos em segurança pública, desde 2010, não diminuíram, aumentaram. As UPPs não deram certo. Nas manifestações os moradores pedem fora UPP. Beltrame, o ex-secretário de segurança pública, sempre disse que só a polícia não vai dar certo. E é isso que a gente está vendo. A gente não quer mais polícia. Já tem polícia pra caramba aqui, hoje já teve operação do Bope. A gente quer na verdade cooperar com outras secretarias". 

© Betinho Casas Novas / Jornal Voz das ComunidadesMoradores do Complexo do Alemão fazem manifestação para pedir paz, após cinco dias de tiroteios intensos
Moradores do Complexo do Alemão fazem manifestação para pedir paz, após cinco dias de tiroteios intensos - Sputnik Brasil
Moradores do Complexo do Alemão fazem manifestação para pedir paz, após cinco dias de tiroteios intensos

Ao comentar a reação dos moradores da zona sul do Rio ao vídeo, Maria observou que, apesar da proximidade, ainda há uma grande distância entre os bairros do Rio. 

"Eles vivem na Noruega do Rio de Janeiro. Se a gente for pegar o IDH, o índice de desenvolvimento humano, há discrepância entre as áreas da cidade e a comunicação também não chega. Eles não sabem o que está acontecendo do lado. Vivem numa ilha, em um Rio de Janeiro totalmente isolado", lamentou a jornalista. 

Para ela, é necessário reconhecer que a política de segurança atual não está funcionando e que algo precisa ser mudado.

"O jornal Extra acabou de dar um áudio com os moradores correndo do tiroteio. É um cotidiano de guerra que tem se intensificado nessas últimas semanas. A gente quer que as autoridades olhem e reconheçam que a política para o Rio não deu certo", concluiu a interlocutora da agência Sputnik Brasil.

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