EUA não vão defender Seul?

© AFP 2022 / CHOI JAE-KUSoldados das Forças dos Estados Unidos na Coreia (USFK) demonstram equipamento na base militar de Yongsan, em Seul. (Arquivo)
Soldados das Forças dos Estados Unidos na Coreia (USFK) demonstram equipamento na base militar de Yongsan, em Seul. (Arquivo) - Sputnik Brasil
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No dia 25 de abril, começou a retirada do 8º exército das forças armadas dos EUA da zona desmilitarizada. Até o final deste ano, o comando e algumas unidades, que estão tanto ao norte de Seul como no centro da cidade na base militar de Yongsan, devem se deslocar para a base de Camp Humphreys na cidade de Pyeongtaek.

A própria retirada das tropas americanas não é uma novidade, as negociações sobre isso têm decorrido desde 2003. No entanto, o início de uma movimentação de tal envergadura num período em que a Coreia do Norte e os EUA estão à beira de um conflito armado faz pensar.

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Primeiro, devemos notar que a retirada dos EUA é taticamente viável. As duas brigadas americanas ao norte de Seul são claramente insuficientes para conter um possível avanço norte-coreano, além disso, elas poderiam ser simplesmente destruídas com um ataque inesperado da artilharia de longo alcance. É notável que as unidades retiradas estão situadas precisamente na rodovia e ferrovia que ligam Seul a Wonsan, onde recentemente foram realizados os exercícios de tiro do exército da Coreia do Norte. A distância entre as forças avançadas da 2ª divisão de infantaria dos EUA e a zona desmilitarizada era de cerca de 20 quilômetros. Agora elas estarão a mais de 100 quilômetros dessa zona.

Quanto às brigadas que estão aquarteladas em Seul, em caso de um possível início da guerra elas ficariam bloqueadas na cidade. Enquanto que a partir de Pyeongtaek as forças americanas podem rechaçar as tentativas norte-coreanas de envolver Seul por leste ou de efetuar um desembarque no litoral na área de Inchon, ou seja, não permitir aos norte-coreanos cercar a cidade e garantir os abastecimentos às tropas que defendem a capital. Deste ponto de vista a nova localização das unidades americanas é mais razoável e dá oportunidades para ações eficientes.

Mas temos de reconhecer que a retirada do estado-maior do 8º exército de Yongsan significa que o comando americano admite aparentemente que, em caso de assalto a Seul pelo exército norte-coreano, será extremamente complicado manter a parte setentrional da cidade, por isso ele está disposto a sacrificá-la para preservar a possibilidade de realizar um contra-ataque subsequente.

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No caso de início de uma invasão norte-coreana, os EUA provavelmente vão aguardar, porque eles precisam de tempo para concentrar e organizar os restos do exército sul-coreano, aproximar a aviação e a marinha, bem como obter reforços do Japão e EUA. Eles têm que envolver os norte-coreanos em combates urbanos e não permitir que eles desenvolvam seu avanço para sul. Para estes fins, do ponto de vista da estratégia militar, a entrega parcial de Seul é completamente justificada.

Entretanto, para os cidadãos comuns isso será uma catástrofe. Para eles a guerra vai começar provavelmente por uma onda de rumores muito alarmantes e mensagens na Internet. As ruas serão rapidamente entupidas por carros e pessoas tentando abandonar a cidade. Depois, aos bairros suburbanos setentrionais fluirão em desordem os soldados sul-coreanos das unidades derrotadas e parcialmente aniquiladas. Ao mesmo tempo, os sul-coreanos ouvirão o troar da artilharia norte-coreana. Durante a noite, ou na manhã seguinte, nos subúrbios nortenhos de Seul surgirão as divisões de assalto norte-coreanas e começará um combate urbano, espontâneo e bem violento.

As vítimas deste tipo de batalha por Seul serão provavelmente incontáveis, mas a guerra tem sua própria lógica cruel, e os EUA parecem tencionar segui-la rigorosamente.

Matéria preparada pela Sputnik Coreia 

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