UE precisa da Turquia para controlar refugiados, não para ser um estado-membro

© AFP 2022 / STRRefugiados sírios estão à espera de transporte após atravessar a fronteira com a Turquia da cidade síria Tal Abyad, em 10 de junho de 2015
Refugiados sírios estão à espera de transporte após atravessar a fronteira com a Turquia da cidade síria Tal Abyad, em 10 de junho de 2015 - Sputnik Brasil
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A União Europeia não leva a sério a candidatura da Turquia para adesão ao bloco, precisa do país apenas para resolver a crise dos refugiados, disse Ozturk Yilmaz, vice-presidente do Partido Republicano do Povo (CHP).

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Na terça-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que Ancara vai desistir da União Européia se Bruxelas não facilitar o progresso nas negociações de adesão da Turquia. O anúncio veio depois do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, ter afirmado que a posição da Turquia relativa à uma série de questões internas, como debates sobre a pena de morte e detenções de jornalistas, é inaceitável e contradiz os valores da UE.

"A UE enxerga a Turquia da perspectiva dos temas de imigração e de segurança, mas a UE não vê na Turquia um país que possa aderir ao bloco. Ou seja, eles querem diferentes níveis de relações, não incluindo a adesão, mas incluindo questões de imigração e de segurança", disse Yilmaz.

Ambos os lados estão agora focados em questões internas, em vez de aprofundar os laços bilaterais ou de prosseguir com o processo de adesão da Turquia à UE, acrescentou.

"Assim, a UE está voltada para dentro e a Turquia também se volta mais para dentro. Este não é um clima nem uma situação conveniente para a UE e Turquia desenvolverem um processo de adesão. Acreditamos que mais tarde, talvez em questão de alguns meses, a UE chegará aos termos, nos quais continuará a trabalhar com a Turquia, porque a Turquia é um país importante. Duvido, no entanto, que eles vão trabalhar com a Turquia para a sua adesão [ao bloco]", afirmou o legislador do principal partido da oposição do país, com 133 cadeiras das 550 do parlamento turco.

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UE e Turquia celebraram no ano passado um acordo de imigração, segundo o qual Ancara se comprometia a absorver parte do fluxo de refugiados vindos do Médio Oriente em troca de ajuda financeira e do compromisso da UE de acelerar a candidatura turca ao bloco europeu, bem como de introduzir o regime de isenção de vistos entre a Turquia e a Europa. O cumprimento do acordo por parte da UE, entretanto, vem sendo comprometido por repressões contra jornalistas da oposição, funcionários públicos e juízes turcos, iniciadas após uma tentativa malsucedida de golpe na Turquia em meados do ano passado. Assim, em Novembro de 2016, o Parlamento Europeu votou pela suspensão das conversações sobre a candidatura da Turquia para adesão à UE.

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