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OAB quer ação da Anistia Internacional em defesa dos índios

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A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MA) vai pedir apoio à Anistia Internacional para intervir nos conflitos por disputa de terras entre índios Gamela e fazendeiros, no Maranhão.

O confronto ocorrido no último fim de semana no município de Viana, cerca de 250 km de São Luís, deixou vários feridos. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mais de dez índios foram atacados com golpes de facão e pauladas e dois tiveram as mãos decepadas. Já o governo do Maranhão informa que foram sete feridos, sendo cinco índios e nega a versão das mãos decepadas, afirmando que, na verdade, um dos indígenas teve fratura exposta nas mãos. Ele foi operado e continua internado.

Índio Gamela atacado no Maranhão - Sputnik Brasil
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'Houve tentativa de massacre', diz missionária após ataque contra índios no Maranhão
Os índios Gamelas brigam por uma área de 14 mil hectares no Norte do Maranhão, doadas pela coroa Portuguesa no século XVIII e acusam os fazendeiros de terem tomado as terras deles ao longo dos anos.

De acordo com o presidente da Comissão da OAB no Maranhão, Rafael Silva, os índios estão aguardando o resultado de processos que estão correndo na justiça e que podem garantir a retomada das terras. A demora nas decisões judiciais tem levado os indígenas a ocuparem sozinhos essas regiões.

Rafael Silva espera que a Anistia Internacional cobre do governo brasileiro mais agilidade no andamento dos processos administrativos e alerta que sem a demarcação das áreas no estado, coloca em risco a segurança dos índios. "O povo indígena Gamela está lutando para efetivar a previsão constitucional de demarcação das terras indígenas e para que haja condições de segurança para o povo indígena Gamela."

O conflito do fim de semana é visto por Rafael Silva como um verdadeiro massacre aos índios. "Não foi um conflito foi um ataque. Foi uma tentativa de massacre. É bom deixar isso claro."

O indígena Francisco Jansen Gamela, que foi uma das vítimas, falou sobre a importância das terras daquela região para perpetuar a história e a cultura do seu povo. "O nosso documento de Terra é a memória e a lembrança que temos. São o nosso bisavô, avô, pai e mãe demarcaram com os próprios pés. Esses são os documentos que temos, além da nossa cultura que nunca deixamos que apagassem."

Além da OAB, a Fundação Nacional do Índio (Funai) também criou um comitê de crise para acompanhar de perto os desdobramentos do conflito. A comitiva vai elaborar um relatório sobre a real situação da disputa agrária na região.

O Ministério da Justiça também informou que enviou a Polícia Federal ao povoado de Bahias, para evitar novos conflitos e ofereceu ajuda para a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão para investigar o caso.

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