Opinião: Seria melhor se Ancara se focasse nos laços com Rússia em vez dos com Europa

© REUTERS / Murad SezerBandeiras da Turquia e da União Europeia
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Ancara poderia alcançar mais prosperidade se ela se focasse em relações mais cordiais com Moscou e Pequim em vez de tentar preservar laços estreitos com a União Europeia, afirmou o cientista político Mehmet Ali Guller à Sputnik.

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"Claramente, a Turquia pode ser membro de várias organizações internacionais. Entretanto, a melhor solução para o país seria passar da cooperação com a União Europeia para o estabelecimento de relações mais estreitas com seus vizinhos na Eurásia, Ásia e Oriente Médio, particularmente com a Rússia e a China", disse o especialista à Sputnik Turquia.

Os comentários foram feitos na véspera do encontro do presidente turco Recep Tayyip Erdogan com seu homólogo russo, Vladimir Putin, e americano, Donald Trump, marcados para o mês de maio. Mehmet Ali Guller ressaltou que estas reuniões serão um "momento decisivo" para Ancara.

"A Turquia ou vai dizer sim à política de Trump na Síria, ou normalizar as relações com a Rússia. Eu espero que a escolha seja feita a favor de maior cooperação com a Rússia e busca de pontos comuns com o governo de Assad. Eu conto com isso, sendo alguém que se opõe à política externa da UE e ao imperialismo dos EUA. Entretanto, a ambivalência e a dualidade da estratégia realizada pela Justiça e pelo Partido do Desenvolvimento (AKP) vão levar a problemas com as forças aliadas da Turquia", advertiu.

A Rússia e os EUA têm apoiado partes opostas no conflito sírio. Moscou tem prestado apoio ao presidente sírio Bashar Assad em seus esforços antiterroristas, enquanto Washington tem apoiado militantes que lutam contra o regime, apontou. A Turquia tem também transferido armas e recursos financeiros para os grupos rebeldes que pretendem derrubar Assad. No entanto, o país também desempenhou um papel crucial na imposição de um regime de cessar-fogo à escala nacional, em uma iniciativa promovida pela Rússia.

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As relações turcas com o Ocidente sempre foram complexas, com o aumento das tensões após uma tentativa repreendida de derrubar Erdogan em junho de 2016 e consequentes purgas. Os laços foram depois complicados pela iniciativa de Erdogan de alterar a Constituição do país, garantindo ao poder executivo novos poderes abrangentes.

Em abril, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) votou em reiniciar o monitoramento no território turco devido às preocupações em relação aos direitos humanos, sendo que esta prática não se efetuava desde 2004.

"Se o monitoramento da APCE tivesse sido eficaz e suficiente para trazer a democracia à Turquia, então a APCE não se teria visto em uma situação em que incluiu este país em uma lista de vigilância. Isto, mais uma vez, mostra que é irracional e pouco realista esperar democracia da Europa", resumiu Mehmet Ali Guller.

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