O dia em que Cuba poderia ter se tornado 'Estado fantoche' dos EUA

© REUTERS / Enrique de la OsaPeople walks pass a graffiti of Cuba's late president Fidel Castro in Santiago de Cuba
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A contraofensiva cubana em resposta à invasão da Baía dos Porcos em abril de 1961 ficou conhecida como a "vitória da praia Girón" e reforçou o triunfo da Revolução Cubana.

De 15 a 19 de abril de 1961, realizou-se operação militar, encabeçada pelos EUA, para interromper a Revolução a dois anos de seu triunfo. A invasão da Baía dos Porcos poderia ter mudado o curso da história. Mas em 18 de abril, a contraofensiva do governo revolucionário pôs fim à política intervencionista norte-americana.

"Nós a chamamos de vitória da praia Girón. Os Estados Unidos organizaram a Brigada 2106, constituída por cerca de 1.500 pessoas dotadas de tanques e artilharia, que foi transportada ao lugar, escolhido pela inteligência estadunidense de acordo com mapas. Procurava-se instalar uma "cabeça-de-ponte", a partir do qual proclamariam depois um novo governo e seria reconhecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por alguns países fantoches da América Latina", contou à Sputnik Mundo o filósofo cubano José Bell Lara.

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De acordo com Bell Lara, que também é professor de ciências filosóficas da Universidade de Havana, o ataque criou uma ameaça, que poderia ter anulado a Revolução. O cientista explicou que a Baía dos Porcos era um lugar estratégico da ilha porque tinha apenas dois acessos por terra que permitiria às tropas do inimigo neutralizar facilmente as tentativas do governo revolucionário — liderado por Fidel Castro — de defender o território.

"Enganaram-se completamente. Na véspera, tentaram destruir as recém-nascidas Forças Aéreas Cubanas da Revolução, bombardearam três aeroportos: em Havana, San Antonio de los Baños e Santiago de Cuba. Destruíram algumas aeronaves, mas não puderam eliminar completamente os poucos aviões que tinha Cuba", acrescentou Bell Lara.

Segundo ele, as tropas cubanas só puderam conter a ofensiva externa devido ao apoio massivo do povo e às ações dos guerrilheiros, que se atiraram para defender sua terra bombardeada. Segundo o professor universitário, foi também graças a esses guerrilheiros que puderam conter a difusão pelo território de Cuba dos grupos armados, "financiados pelos EUA" para desestabilizar a ilha.

"Entre 1961 e 1965, no país operaram 229 grupos armados alimentados pelos EUA e foi a coragem do povo que os derrotou um por um em todas as províncias do país", sublinhou Bell Lara.

Ele frisou que, naquele abril de 1961, as tropas de Fidel pararam a operação norte-americana em apenas 72 horas, mas que foram o povo cubano e a "Revolução Enraizada" quem venceu o embargo econômico imposto pelos EUA ao país caribenho durante 50 anos.

"Cuba poderia ter se tornado mais um país daqueles que giram em torno dos interesses norte-americanos, mas se manteve sozinho durante muito tempo perante um bloqueio extraordinário, demonstrando a força de seu povo… Uma vitória [norte-americana na invasão da Baía dos Porcos] teria sido um golpe muito violento para a Revolução, mas isso não quer dizer que ela teria sido combatida porque a resistência teria continuado por todo o país e teria sido prolongada", concluiu o especialista.

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