Ao pressionar Pequim e Pyongyang, Washington tenta retomar controle do Extremo Oriente

© REUTERS / Marinha dos EUAPorta-aviões dos EUA Carl Vinson no oceano pacífico, em 30 de janeiro de 2017
Porta-aviões dos EUA Carl Vinson no oceano pacífico, em 30 de janeiro de 2017 - Sputnik Brasil
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A afirmação do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que "a paz só poderá ser alcançada através da força" significa que o conflito entre Washington e Pyongyang pode entrar em fase de guerra, disse, em entrevista ao Serviço Russo da Rádio Sputnik, o cientista político Vladimir Shapovalov.

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O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, discutiu o problema da Coreia do Norte com o premiê japonês, Shinzo Abe, destacando que Washington, assim como Tóquio, espera regular a situação na região pacificamente, mas sublinhou que "a paz só poderá ser alcançada através da força".

Além disso, o político revelou a intenção dos EUA de cooperar com o Japão, a Coreia do Sul e a China para resolver o problema nuclear norte-coreano. O premiê do Japão e o vice-presidente norte-americano acordaram em motivar Pequim a se envolver mais ativamente para conter o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte.

Anteriormente, Pence declarou que a "paciência estratégica" de Washington em relação a Pyongyang acabou. Ele também apelou ao regime norte-coreano para não testar a determinação do presidente Trump.

A viagem pela Ásia de Pence coincidiu com a crise mais aguda relacionada com a Coreia do Norte. Os EUA enviaram um grupo aeronaval, chefiado pelo porta-aviões USS Carl Vinson, para a região.

O cientista político e diretor adjunto do Instituto de história e política da Universidade Estatal Pedagógica de Moscou, Vladimir Shapovalov, acredita que a atual demonstração de força pelos EUA é um sinal muito perigoso.

"Vale destacar que o destinatário desta demonstração não é somente o governo da Coreia do Norte, mas também a administração da China. Todas as afirmações e ameaças contra a Coreia do Norte podem ser interpretadas como o desejo dos EUA de exercer uma pressão militar e política na China e desse modo "voltar" para o Extremo Oriente. Nas últimas décadas, os EUA têm diminuído significativamente a sua presença no Extremo Oriente, tanto militar como, o que é mais importante, econômica, enquanto a China aumentou sua influência na região. Então, a presente demonstração de força do lado dos EUA tem por objetivo restabelecer e reforçar as posições", disse Shapovalov ao Serviço Russo da Rádio Sputnik.

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De acordo com o cientista, existe a possibilidade de os EUA realizarem um ataque contra a Coreia do Norte.

"Poderá o conflito entrar em fase de guerra? Sim, claro, porque a demonstração de força contra a Síria e o Afeganistão serve de exemplo que a administração atual norte-americana não quer resistir e está pronta — em certos casos — para usar a força. Por isso não se pode negar a possibilidade dos EUA realizarem um ataque contra a Coreia do Norte, apesar deste último possuir armas nucleares. Ou seja, a administração atual dos EUA pode, na minha opinião, estar pronta para arriscar", concluiu Vladimir Shapovalov.

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