China não aceitará tom categórico de Donald Trump, opinam especialistas

© AFP 2022 / NICOLAS ASFOURIJornais destacam o encontro do presidente dos EUA Donald Trump (à esquerda) e presidente da China Xi Jinping (à direita)
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Especialistas mostram possíveis cenários do desenvolvimento da situação na península Coreana e comentam as ações dos diferentes jogadores internacionais, dizendo que algumas ações militares deles podem resultar na escalada do conflito coreano.

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O presidente da República Popular da China, Xi Jinping, expressou reação delicada em relação às intenções do presidente norte-americano, Donald Trump, de ditar regras na resolução do problema nuclear norte-coreano.

Anteriormente, Xi Jinping declarou, durante conversa telefônica com Donald Trump, que a China é a favor do desarmamento nuclear da península Coreana, bem como da paz e estabilidade nessa região e resolução pacífica do problema nuclear norte-coreano, informa a CCTV.

Um dia antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu no Twitter que seu país pode "resolver o problema" da Coreia do Norte sem ajuda de Pequim. "A Coreia do Norte está procurando problemas. Se a China nos ajudar, será ótimo. Se não, vamos resolver o problema sem eles! EUA."

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Entretanto, a agência Kyodo informa que EUA já avisaram ao Japão sobre possível ataque à Coreia do Norte caso China não influencie Pyongyang. Revelou-se que, para os EUA, existem apenas dois cenários: Pequim intensifica pressão na Coreia do Norte ou EUA atacam, diz uma fonte da agência de notícias.

Por essa razão, Xi Jinping e Donald Trump se viram obrigados a conversar por telefone dois dias depois de terem se encontrado, destacou em entrevista à Sputnik China o diretor do Centro da Estratégia Russa na Ásia, Georgy Talaraya.

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"Esperanças da inevitabilidade de guerra aumentaram muito, especialmente na Coreia do Sul. Os norte-americanos estão blefando. Eles tentam aumentar tensões, provocam opinião pública e políticos para nada. A maioria dessas ações é contra China, pois, agora, a receita principal dos EUA trata-se de influenciar a China para que ela faça algo quanto à Coreia do Norte. Eles opinam, erroneamente, em minha opinião, que China simplesmente não quer pressionar a Coreia do Norte. Acreditam que se China romper laços econômicos com esse país e ameaçá-lo, neste caso, os norte-coreanos vão se render, chegaram arrependidos com suas armas nucleares nas mãos. Isso não vai acontecer, mas a política de pressão é muito perigosa. É provável que este tenha sido o tema da conversa entre Xi Jinping e Trump", sugere o especialista Georgy Talaraya.

Ele acrescentou que a "demonstração da força militar é cheia de perigos e eventos imprevisíveis. Ainda mais quando se trata de um temperamento tão explosivo como o de Kim Jong-um. Neste caso, mesmo sem intenções reais, um conflito real é possível, até uma guerra em grande escala".

Segundo o especialista, o tom de comunicação de Donald Trump com Xi Jinping tanto durante encontro como através das redes sociais é bastante categórico.

Ao mesmo tempo, há outras explicações por trás da necessidade da conversa telefônica entre os dois presidentes.  O especialista do Instituto de Relações Internacionais de Pequim, Jia Lieying, fala sobre isso:

"A parte chinesa continua apoiando o impedimento de testes nucleares de mísseis, realizados pela Coreia do Norte, bem como a ideia de desarmamento nuclear da península Coreana em troca de paz nessa região."

O especialista chinês acredita que a conversa telefônica reflete intenção da China de controlar a situação na Coreia do Norte devido ao ataque à Síria, incluindo a intensa pressão econômica no país. China vai introduzir novas sanções caso novo teste nuclear seja realizado.

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Além disso, destaca-se que o cenário militar, na verdade, preocupa Coreia do Sul e Japão. As autoridades do Japão informaram aos EUA que tentam resolver o problema nuclear norte-americano através de meios diplomáticos. No entanto, preparam-se para eventual evacuação dos seus cidadãos da Coreia do Sul.

O especialista russo do Instituto de Estudos do Oriente, Aleksandr Vorontsov, fala sobre outros cenários:

"É evidente que o ataque militar contra a Coreia do Norte não ficará sem resposta". Segundo ele, tal ação poderia resultar na escalada de tensões não só na península Coreana, pois, neste caso, podemos esperar "ataque em resposta pela Coreia do Norte" que "levará a região à catástrofe".

Assim, os aliados dos EUA — Coreia do Sul e Japão — podem se tornar reféns do cenário militar da resolução do problema nuclear norte-coreano e alvos inevitáveis de uma guerra de grande escala.

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