Especialista: Pequim considera ações dos EUA na Síria como bofetada

© AP Photo / Alex BrandonEncontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping em Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida, 6 de abril de 2017
Encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping em Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida, 6 de abril de 2017 - Sputnik Brasil
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A informação sobre aproximação de navios norte-americanos ao litoral sul-coreano logo após ataque dos EUA à base aérea de Shayrat foi percebida muito seriamente por Pequim. Tal opinião foi expressa pelo especialista em questões chinesas, Sergei Sanakoev, ao serviço russo da Rádio Sputnik.

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Os EUA enviaram um grupo de navios de combate liderado pelo porta-aviões atômico, Carl Vinson, em direção à Coreia do Norte, informa a agência Yonhap.

Segundo a Yonhap, o grupo de navios norte-americanos está navegando de Singapura em direção à Península Coreana, mudando, assim, o plano original de realizar uma parada na Austrália. Além do porta-aviões Carl Vinson, o grupo inclui dois destroieres e um cruzador de mísseis guiados, que são capazes de interceptar mísseis balísticos.

© AFP 2022 / PARK JI-HWAN USS CVN-70 Carl Vinson
USS CVN-70 Carl Vinson - Sputnik Brasil
USS CVN-70 Carl Vinson

A Yonhap cita um representante do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, Mun San Gun, para quem o envio do grupo aeronaval reflete "a atitude séria [dos Estados Unidos] para com a situação na Península Coreana". Segundo ele, as ações dos EUA visam reforçar a proteção em caso de teste nuclear ou lançamento de mísseis balísticos da Coreia do Norte.

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Anteriormente, a mídia informou que o Conselho de Segurança Nacional dos EUA apresentou ao presidente do país um relatório que contém cenários de respostas possíveis à ameaça nuclear por parte de Pyongyang que incluem possibilidade de deslocamento de míssil nuclear na Coreia do Sul e eliminação do líder norte-coreano, Kim Jong-um. Segundo afirma o canal de televisão NBC, os EUA podem usar um destes cenários, caso não consigam colaborar com a China para conter a Coreia do Norte.

Na semana passada, na véspera da visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA, Donald Trump  declarou em entrevista ao jornal Financial Times: "Se a China não conseguir pôr a Coreia do norte em ordem, nós o faremos."

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Além disso, no decurso da visita aos EUA, realizada pela delegação chinesa e liderada por Xi Jinping, os Estados Unidos atacaram à base aérea na Síria na noite de 6 a 4 de abril. Não obstante, Washington continua afirmando que esse aeródromo foi usado para realizar ataque químico na província síria de Idlib.

Considerando todos esses eventos, o presidente do Centro de análise sino-russo, Sergei Sanakoev, opina que o ataque à Síria e a estadia da delegação chinesa nos EUA não coincidam por acaso:

"Em minha opinião, tudo isso foi um aviso para a delegação chinesa, liderada por Xi Jinping, que, de fato, estava na case dele [Donald Trump]. Na verdade, de acordo com tradições orientais, trata-se de uma bofetada para os visitantes, sendo pouco provável que os chineses desculpem isso."

O especialista acrescentou ao serviço russo da Rádio Sputnik que "houve uma opinião sobre o [ataque à base síria] não ter causado danos diretos à China e que por isso o líder chinês expressou atitude indiferente, mas não é bem assim. O líder chinês não ter manifestado emoção alguma não significa nada".

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Para provar seu ponto de vista, o presidente do Centro de análise em questão destacou que "a China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Violar todas as regras internacionais e efetuar ataque que, a propósito, é infundado, contra um Estado-membro da ONU, justamente no momento em que o líder da China se encontra na casa deles [norte-americanos], acredito eu que a delegação chinesa tenha considerado tal ação uma ofensa pessoal".

Segundo o especialista, as autoridades chinesas consideram as ações agressivas dos EUA na Península Coreana como séria ameaça.

De acordo com Sergei Sanakoev, as ações dos EUA foram acompanhadas pelo aviso aos chineses de que eles devem "pôr em ordem" a Coreia do Norte ou os EUA o farão. Mas de que maneira Pequim deve fazê-lo?

"Como resultado, ao voltar para a China, primeiramente, as autoridades enviam o senhor Wu Dawei (representante especial da China para assuntos da Península Coreana) a Seul para imediatamente resolver o conflito, aparentemente, em qualquer outro nível", acrescentou o especialista.

Ele também sugeriu que, provavelmente, as autoridades chinesas explicaram as ações pelo fato de que "camaradas completamente não adequados assumiram o poder nos EUA" e que o final poderá ser "horrível".

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