Investida contra capital do Daesh na Síria: uma guerra de 'todos contra todos'

© REUTERS / Rodi SaidSmoke rises in the background as Syrian Democratic Forces (SDF) fighters stand near rubble of a destroyed building, north of Raqqa city, Syria
Smoke rises in the background as Syrian Democratic Forces (SDF) fighters stand near rubble of a destroyed building, north of Raqqa city, Syria - Sputnik Brasil
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Ainda não está claro quem vai participar do assalto à cidade síria de Raqqa. Existe o risco de que a libertação da "capital do Daesh" (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países) se transforme em uma batalha entre os próprios atacantes, diz o colunista da Sputnik, Andrei Veselov.

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Alguma mídia curda assegura que os EUA já acordaram com os líderes curdos a criação de um Curdistão autônomo no território da Síria se eles conseguirem tomar Raqqa e seus arredores. O que constituiria a base para a criação de um Estado curdo independente na Síria e no Iraque?

O membro do birô político do Partido Democrático do Curdistão na Síria (PDK-S) e um dos líderes do Conselho Nacional dos Curdos Sírios (ENKS, na sua sigla em curdo), Muslim Mihemmed, confirmou à Sputnik que "os americanos têm este projeto".

De acordo com Mihemmed, o projeto deve ter em conta os interesses de "todos os curdos na região e não apenas de algumas forças [uma referência às Unidades de Proteção Popular, YPG]".

"Se não for assim, esse Estado não pode ser considerado curdo. Defendemos a atribuição de direitos legais para todos os curdos. Os curdos devem decidir seu destino em suas terras no Iraque e na Síria. Hoje em dia, a atenção está focada no Curdistão sírio e ele merece obter seus direitos", resumiu Mihemmed.

A tentativa de chegar a um acordo

No início de março, em Antália, Turquia, se reuniram os chefes dos estados-maiores da Rússia, Turquia e Estados Unidos. Formalmente, Valery Gerasimov, Hulusi Akar e Joseph Dunford, os representantes de cada país, respectivamente, discutiram os "problemas gerais de segurança no Iraque e na Síria". Oficialmente, não foram revelados os detalhes da conversa, mas, de acordo com várias mídias turcas, entre outras coisas, foram discutidos os princípios que podem ajudar as partes a estabelecer uma parceria para o próximo ataque a Raqqa e a evitar o 'fogo amigo'.

Entre as forças democráticas e Ancara

Raqqa está cercada por forças turcas e formações curdas. Os curdos sírios ajudam o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado por Ancara como separatista e terrorista.

Washington está em uma situação muito complicada. Por um lado, a Turquia é seu parceiro na OTAN, por outro, os curdos são um aliado confiável e testado na luta contra o Daesh. Antes era possível cooperar com os dois, quando estavam mais ou menos separados, mas agora estão se aproximando de um contato físico.

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As Forças Democráticas da Síria (FDS) afirmam que "não vão permitir que a Turquia participe do assalto a Raqqa". "Em uma reunião com representantes do Comando Militar dos EUA, temos deixado claro que não permitiremos que a Turquia ocupe novas áreas. Consideramos esse país como um ocupante do norte da Síria, e o Comando dos Estados Unidos levou em conta o nosso ponto de vista", afirmou o representante do movimento, Talal Selo.

Por sua vez, Ancara exige que os EUA deixem de apoiar as FDS.

Bashar al-Assad e o corpo de fuzileiros navais dos EUA

Até há pouco tempo, o Exército sírio participou de fortes combates na região de Damasco e Palmira. No entanto, Bashar al-Assad não pensa em ficar longe do que está acontecendo em Raqqa. O presidente anunciou o início da operação militar para libertar a cidade.

"Agora estamos perto de Raqqa. As nossas tropas chegaram ao rio Eufrates, que fica muito perto de Raqqa, cidade que representa hoje o reduto de Daesh. Portanto, Raqqa é uma prioridade para nós", argumentou Assad.

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Enquanto as Forças Democráticas estão contra os turcos, e vice-versa, o governo sírio atua tanto contra uns, como contra os outros. A situação se agrava devido ao aparecimento lá de forças terrestres dos Estados Unidos, que levam muito tempo procurando a derrubada de Assad. De acordo com o jornal The Washington Post, os americanos enviaram para a região de Raqqa várias unidades adicionais.

Neste cenário complexo, em que 'todos estão contra todos", mas todos juntos estão contra o Daesh, a Rússia atua como aliado e parceiro de Assad, mas também tem contatos de trabalho sobre a questão síria com a Turquia, o Iraque, os curdos e até mesmo com uma certa parte da oposição, cujos representantes visitaram Moscou várias vezes.

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