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Por que Arábia Saudita expulsa 5 milhões de pessoas?

© AFP 2021 / FAYEZ NURELDINEUma mulher saudita passa por um trabalhador estrangeiro em 7 de novembro de 2013 em Riad.
Uma mulher saudita passa por um trabalhador estrangeiro em 7 de novembro de 2013 em Riad. - Sputnik Brasil
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A Arábia Saudita planeja deportar cerca de 20% da população – cinco milhões de migrantes ilegais. A Assembleia Consultiva está discutindo a inciativa.

Segundo o jornal Al Hayat, as autoridades estão preocupadas por os migrantes atuais poderem em breve pedir a cidadania. A campanha prevista não será a primeira na história do reino – entre 2012 e 2015 o Estado expulsou 243 mil paquistaneses, alguns deles foram acusados de terrorismo islâmico.

Leis de servidão 

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A imigração maciça para a Arábia Saudita foi provocada nos anos 70 dado o boom petrolífero. Segundo a legislação saudita, as mulheres não têm direito de dirigir. Assim, os migrantes foram empregados como motoristas, assim como carregadores, amas, etc.

A lei migratória do país diz que a presença do migrante na Arábia Saudita depende completamente do saudita contratante. Sem o consentimento do empregador saudita, os migrantes não podem mudar de trabalho e não se pode falar de encontrar outro empregador.

Segundo o recenseamento de 2010, 30% da população já é constituída por migrantes, com a maioria deles vivendo em guetos.

Um desafio alarmante

Muitos sauditas acreditam que a migração aumenta a criminalidade e que os migrantes atacam cidadãos abastados. Entretanto, os próprios migrantes expressam insatisfação. Desde 2014, quando o preço de petróleo aumentava, o país vivia os protestos dos trabalhadores paquistaneses que não foram pagos. Em janeiro de 2017, até ocorreram confrontos na cidade sagrada de Meca. A organização Human Rights Watch tem proclamado sobre violações maciças dos direitos dos migrantes, que consequentemente fogem dos "patrões" e se tornam ilegais.

As diferenças religiosas adicionam tensão no país. Os empregadores sauditas são muçulmanos, enquanto muitas vezes os migrantes são de fé cristã, por exemplo, oriundos da vizinha Etiópia, ou as amas das Filipinas. Entretanto, a legislação saudita proíbe a construção de igrejas cristãs, o que faz com que os migrantes professem sua religião cristã clandestinamente.

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Por outro lado, as autoridades sauditas temem o islamismo radical. Em 2016, um migrante ilegal paquistanês se fez explodir perto do consulado norte-americano na cidade de Jidá.

Programa 2030

O programa já aprovado proclama um objetivo ambicioso – livrar o país da dependência do petróleo através da criação de uma indústria local competitiva. Por isso, é necessário combater o desemprego provocado pelas falhas na educação. O reino prepara muitos teólogos islâmicos que depois não conseguem encontrar trabalho. Outra razão para o desemprego é a concorrência por parte de migrantes com baixa remuneração. Assim, as deportações fazem parte do programa que visa o saneamento do país.

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