Reino Unido deve apresentar provas se quiser acusar a Rússia, diz relatório do Parlamento

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Síria e Ucrânia continuam a ser os maiores desafios nas relações entre Reino Unido e Rússia, e Londres deve fornecer evidências sólidas se quiser sustentar quaisquer acusações relevantes contra Moscou. Essas e outras conclusões foram apresentadas nesta quinta (2) em um relatório do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns britânica.

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"As ações da Rússia na Ucrânia e na Síria constituem os dois desafios mais urgentes da política externa para o relacionamento Reino Unido-Rússia. A Ucrânia deve escolher seu próprio futuro. O Reino Unido e seus aliados devem apoiar a Ucrânia no desenvolvimento da resistência a novas invasões russas", disse o relatório, intitulado “As relações do Reino Unido com a Rússia".

No entanto, o documento acrescenta que, em relação à Síria, não há provas suficientes para fundamentar as alegações anti-Rússia feitas pelo governo britânico.

"Na Síria, funcionários do governo do Reino Unido acusaram a Rússia de cometer crimes de guerra, mas não publicaram evidências para apoiar suas alegações… se o governo continuar a alegar que a Rússia cometeu crimes de guerra na Síria sem fornecer uma base para sua acusação, arrisca potencializar a narrativa do Kremlin de que a Rússia é submetida a duplos padrões injustos por parte de potências ocidentais hostis e hipócritas", admite o relatório.

Além disso, o texto sugere que a chancelaria britânica (FCO) esclareça questões relacionadas à implementação das sanções impostas a Moscou após a saída de Londres da União Europeia.

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"As sanções impostas à Rússia devido às suas ações no Leste da Ucrânia e na Crimeia são atualmente acordadas e aplicadas pelos Estados-Membros da UE. O FCO deve esclarecer como o Reino Unido iria impor sanções pós-Brexit, explicar se o Brexit implicaria mudanças do atual regime de sanções e analisar os custos e benefícios de possíveis modelos para as futuras sanções administradas pelo Reino Unido", disse o relatório, acrescentando que este trabalho seja concluído até março de 2018.

O suposto envolvimento de Moscou no conflito ucraniano é repetidamente negado pelas autoridades russas.

O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns também instou o Ministério das Relações Exteriores a nomear uma espécie de sub-ministro que seria exclusivamente responsável pelas relações com a Rússia e a Comunidade de Estados Independentes (CEI), "tendo em conta as tensões em curso na relação Reino Unido-Rússia e a sua importância a longo prazo” para segurança britânica.

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Além disso, o relatório também pediu uma análise mais aprofundada da política russa.

"O FCO deve investir mais uma vez na capacidade analítica para entender a tomada de decisão russa, a fim de desenvolver uma política externa eficaz e informada. Isso deve envolver a participação de think-tanks e universidades que estudam a Rússia, o recrutamento e o treinamento de especialistas em Rússia no FCO o desenvolvimento de habilidades linguísticas russas no FCO”, propôs a análise.

O relatório também afirma que as autoridades britânicas devem se envolver num diálogo construtivo com a Rússia no que diz respeito à luta contra o terrorismo. Mais que isso, o texto adverte que a falta de diálogo entre Londres e Moscou é uma política “míope”, por mais “desconfortáveis que tais conversações possam ser”.

"Saudamos, portanto, indicações recentes de que o governo está disposto a considerar um engajamento mais direto, mais face-a-face com a liderança russa”, disse o Comitê.

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