Projeto marítimo polonês viola ecologia russa?

© Sputnik / Igor Zarembo / Abrir o banco de imagensUma paisagem do mar Báltico (foto de arquivo)
Uma paisagem do mar Báltico (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Falta pouco para que o Senado polonês aprove o projeto de lei sobre a construção do canal que visa unir o mar Báltico à baía de Kaliningrado. O projeto tem um aspecto sumamente favorável para as autoridades da região de Vármia-Masúria. Já os moradores da cidade de Krynica Morska partilham preocupação dos ecólogos.

O projeto de lei, contudo, toca não somente na ecologia, mas também nas relações internacionais. Uma parte da baía de Kaliningrado contém águas territoriais russas, e Moscou, naturalmente, não quer sofrer prejuízos.

Em entrevista à Sputnik Polônia, Feliks Andreev, ex-deputado da Assembleia legislativa da região de Kaliningado (esta região russa fica na região geográfica que seria influenciada pela construção do canal), descreveu duas variantes da realização do projeto.

A primeira sugestão é a construção de um canal de 20 metros de largura e um mínimo de 5 metros de profundidade, destinado para passagem de navios. Neste caso, que não prevê instalação de barreiras e separadores, a parte interior da baía corre o perigo de contaminação e de extinção de quase toda a sua fauna. A razão é essa: a baía, separada do mar por uma restinga prolongada, é composta por água doce.

"A chegada de mais águas salgadas do mar Báltico irá quase igualar a salubridade da baía à do mar. Desta maneira, toda a fauna de água doce irá desaparecer. A criação de um novo canal realizado na forma de uma passagem aberta através da restinga acarreta consequências muito perigosas para o ecossistema, ou seja, as riquezas essenciais da baía são as que podem sofrer com isso: o fitoplâncton de água doce, o zooplâncton e, principalmente, os peixes, que são algo muito importante para a população local", diz Andreev, outro ecólogo reconhecido.

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Já a segunda opção de construção é menos perigosa. Trata-se da construção de um canal com separadores, que irão regular o fluxo de água salgada. Porém, o perigo se conserva em mais um problema: a costa polonesa da baía é rasa, por isso será preciso aprofundar a superfície subaquática, e esta superfície, por suas características, pode exigir que obras de aprofundamento sejam realizadas regularmente.

A construção deverá ser concordada com a parte russa, por se tratar de um objeto marítimo transfronteiriço. No entanto, até o momento, o projeto não conseguiu o apoio da União Europeia. Ainda no ano passado, a UE desistiu de conceder verbas para a realização deste projeto após uma queixa da representante oficial do escritório polonês da Fundação Mundial da Natureza Selvagem (WWF), Marta Kalinowska, que frisou que o projeto irá "ter influência negativa na possibilidade de atingir as diretivas ecológicas essenciais da União Europeia".

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