Será que os sérvios querem a guerra? Saiba como enquetes manipulam opinião pública

© AFP 2022Soldados dos Exércitos da Sérvia e Montenegro monitoram a fronteira entre a Sérvia e Kosovo (foto de arquivo)
Soldados dos Exércitos da Sérvia e Montenegro monitoram a fronteira entre a Sérvia e Kosovo (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Como podemos saber se 73 por cento dos sérvios não participariam de uma guerra no Kosovo? Mas é mais importante saber em que condições eles não participariam de uma guerra no Kosovo.

Uma coisa é quando perguntam se você iria defender um povo que foi atacado e outro assunto é quando perguntam se você participaria de uma guerra. Não é a mesma coisa.

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Os cidadãos da Sérvia souberam que 73 por cento deles não iriam combater no Kosovo. Essa informação foi revelada pela investigação do Centro de Política de Segurança de Belgrado. Eis a questão que foi posta a 1.403 respondentes: "Consideraria como justificado entrar em conflito armado para que o Kosovo e Metohija continuassem fazendo parte da Sérvia?"

No entanto, não é completamente claro o significado da formulação da questão: "Será que a entrada em um conflito armado é justificada?" Segundo as palavras da diretora do Centro de Política de Segurança de Belgrado, Sonja Stojanovic Gajic, os cidadãos também foram questionados sobre o que estão dispostos a fazer se seus compatrícios nos países da região ficarem sob ameaça.

A diretora do centro acrescentou que a questão só tinha que ver com a justificação de participação de um conflito, mas não com quem iniciaria esse conflito. Essa questão é natural, pois a situação no Kosovo é considerada como a ameaça número um na estratégia de segurança nacional da Sérvia.

Entretanto, uma coisa é quando você pergunta a alguém se está disposto a proteger seu povo de ataques, mas outra coisa é quando a questão é se uma pessoa está pronta para participar de uma guerra em geral.

Por outro lado, o especialista em tecnologias políticas e diretor da agência Pragma, Cvijetin Milivojevic, pensa que tais inquéritos são usados para criar a opinião pública necessária.

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"É uma questão banal, pois quem será bastante tolo o para querer uma guerra? Nem um liberalista, nem um nacionalista o querem. Quando você faz essa pergunta, não será uma surpresa se 100 por cento de respondentes disserem que estão contra a guerra. Eu respondia o mesmo, por exemplo", declarou Milivojevic à Sputnik Sérvia.

Para ilustrar com exemplos de questões "corretas", o especialista fala daquelas que são colocadas sobre a adesão da Sérvia à UE:

"Dois terços dos cidadãos são a favor de adesão da Sérvia à UE. Mas quando perguntamos se as pessoas querem entrar na UE na condição de ser assinado um acordo juridicamente vinculativo com o Kosovo [acordo de reconhecimento de independência do Kosovo por parte da Sérvia, mas tal formulação não existe no nível oficial], nesse caso dois terços, ou ainda mais, serão contra a adesão à UE", acrescentou.

Além disso, quanto ao Kosovo, Milivojevic lembrou que em 1999 a Sérvia foi sujeita à agressão da OTAN.

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