O que pode estar por trás da demissão do conselheiro de Segurança Michael Flynn?

© AP Photo / Lauren Victoria BurkeConselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn
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Na noite da segunda-feira (13), um dos principais apoiadores da melhoria nas relações russo-americanas na administração de Trump, o conselheiro de Segurança Michael Flynn, pediu sua demissão após uma onda de críticas midiáticas devido aos seus encontros com o embaixador russo. Os políticos russos explicam à Sputnik o que isto pode indiciar.

O senador russo Aleksei Pushkov acredita que, no contexto da demissão do conselheiro, que poderá estar relacionada com seus contatos com a Rússia, o alvo não era o ex-alto funcionário, mas as relações entre a Rússia e os EUA.

"A saída de Michael Flynn é, provavelmente, a demissão mais rápida de um assessor do presidente para questões da segurança nacional em toda a história [dos EUA]. Porém, o alvo não é o próprio Flynn, mas as relações com a Rússia", escreveu Pushkov no seu Twitter.

​Pushkov adiantou que este é apenas "o primeiro ato".

"Flynn está saindo, mas o problema russo na Casa Branca permanece", dizem seus rivais. A expulsão de Flynn foi o primeiro ato. Agora o alvo é Trump", acrescentou, retweetando a capa de um jornal norte-americano com a manchete "Russo, para a saída!"

​Outro alto responsável oficial, o chefe do Comitê Internacional do Conselho da Federação, Konstantin Kosachev, também escreveu na sua página do Facebook:

"Ou Trump ainda não obteve a autonomia que procurava e ele está sendo sucessivamente (e não infrutiferamente) encurralado, ou a russofobia já afetou toda a nova administração."

Segundo disse o senador, ele desde o início acreditava que ainda era cedo para inscrever Flynn na lista dos russófilos. Basta ler seu último livro "The Field of Fight. How to Win the Global War against Radical Islam and its Allies" ("O campo de combate. Como ganhar a guerra global contra islamismo radical e seus aliados"), frisou Kosachev.

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"Porém, Flynn, ao contrário dos outros altos responsáveis oficiais norte-americanos, estava aberto ao diálogo, foi a Moscou e, como foi revelado, comunicou com o nosso embaixador em Washington. O que por definição é melhor do que a retórica em relação à Rússia usada por McCain, e outros republicanos do mesmo tipo, na época atual em que nossas relações se encontram num impasse e não há cooperação em questões-chave da agenda global", expressou o legislador.

Porém, apenas a disponibilidade para o diálogo com os russos já "é considerada pelos falcões de Washington como um crime de pensamento", adiantou.

"Fazer o conselheiro de Segurança se demitir por ter contatos com o embaixador russo (uma prática comum em diplomacia) já não é apenas paranoia, é algo muito pior", resumiu.

O deputado da Duma de Estado russa Aleksandr Chepa disse à Sputnik, porém, que é pouco provável que a demissão de Flynn influencie de alguma maneira as relações russo-americanas.

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"Ele mal começou a trabalhar, não teve tempo para obter qualquer prestígio. A única coisa foi ele ter conduzido algum tipo de conversações com o nosso embaixador Kislyak ainda antes da posse de Trump. Não sei em que medida ele terá informado a administração de Trump sobre o conteúdo destas conversações. E como isso, segundo diz a mídia, pode ter levado a alguma possível chantagem… Em princípio, acho que não houve tempo suficiente para que quaisquer contatos já tivessem sido estabelecidos. Não acho que isto tenha muita influência [nas relações entre os EUA e a Rússia]", afirmou o deputado.

Na opinião do político, a rápida substituição do conselheiro quer dizer que "está havendo algum trabalho na equipe deles e eles estão sendo mais cautelosos na sua política de pessoal".

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