Após Mossul, não haverá Raqqa: por que previsão otimista de Hollande não deu certo?

© AFP 2022 / MIGUEL MEDINA François Hollande, presidente da França
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Na quarta-feira (08), o chanceler russo, Mevlut Cavusoglu, informou que a chamada "capital" do Daesh, Raqqa, será o próximo objetivo do exército turco após a libertação da cidade síria de Al-Bab. Enquanto isso, a França e os aliados continuam atolados em Mossul.

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Exército turco planeja alcançar seu próximo objetivo – Raqqa
Após Mossul, vai ser Raqqa – eis o que falou o presidente francês François Hollande no início de janeiro durante a sua viagem ao Iraque onde se encontram militares franceses. Ao pronunciar estas palavras, o presidente francês previa "um ano vitorioso na luta contra o terrorismo".

Mas, pelo visto, a situação é bem diferente, pois, desde outubro de 2016, os militares estão travados no mesmo lugar em Mossul onde o exército iraquiano apoiado pelo Ocidente, inclusive por forças especiais francesas, sofre fortes perdas em combates urbanos.

Raqqa é uma cidade importantíssima para o Curdistão sírio e a Turquia não pretende deixá-la para os curdos.

Em entrevista à Sputnik França, Richard Labévière, cientista político e ex-editor-chefe da Radio France Internacionale (RFI) informou que o "objetivo operativo e militar de Ancara numa perspectiva de curto prazo é, obviamente, impedir a criação do território curdo na Síria".

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Na opinião de Labévière, a Turquia "fará o máximo possível" para evitar o "surgimento de uma zona concreta curda" no terreno sírio e junção desta zona ao Iraque vizinho. As forças curdas contam com apoio dos EUA neste jogo sujo com Ancara.

"Claro que depois de Aleppo os norte-americanos estão fazendo todo o possível, inclusive brandindo a bandeira em seu apoio, ou contra eles com apoio dos turcos, para promover o seu plano no âmbito das negociações em Genebra que se realizarão dentro de alguns dias, no qual a divisão do país deverá servir de solução para a Síria", acha Labévière.

Ao longo dos últimos dias, o Exército Livre da Síria, com apoio das forças curdas, realiza duros combates perto de Al-Bab, e o exército sírio se juntou ao sítio da cidade. Tal situação era inimaginável há meio ano quando a Turquia e os seus aliados da Arábia Saudita apoiavam grupos mais extremistas tentando derrubar o governo sírio.

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Parece que agora a Turquia desistiu deste curso, lamentavelmente para a Arábia Saudita e França. Segundo Labévière, embora a França participe de ações militares, diplomaticamente falando, o país "está fora de combate" por não conseguir mais desempenhar o seu papel de mediador.

"Em termos diplomáticos, a França está 'desligada' completamente, pois o país passou ao lado da Arábia Saudita por causa de transações, balanço comercial e por razões internas", sublinha.

O fato de Paris não estar presente em Astana, no Cazaquistão, é mais uma prova de que a chancelaria francesa não participa das negociações sobre a Síria, conclui o cientista político francês.

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