Deixar de ser uma 'muleta' da OTAN: França exorta à independência da defesa europeia

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Discursando perante a Assembleia Nacional Francesa em 17 de janeiro, Bernard Cazeneuve, primeiro-ministro da França, se pronunciou a favor de uma defesa europeia "independente", dizendo que "é a independência [dos outros países] que deve servir para Europa como uma prova dos seus princípios, valores e sua identidade".

Dessa maneira ele responde a Donald Trump, que chamou a OTAN de organização obsoleta. Mas há chances de que a vontade do premiê francês seja cumprida na Europa de hoje, tomando em conta o fato do que os acordos pressupõem que o sistema de defesa europeu está inscrito no quadro da OTAN.

A Sputnik França se dirigiu a especialistas para saber se o sistema de defesa europeu independente tem futuro.

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Christophe Reveillard, investigador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), por exemplo, destaca que anteriormente esta ideia sempre esteve ligada à OTAN, "porque qualquer pilar europeu do sistema de defesa do Ocidente era uma espécie de muleta para OTAN, sob comando dos EUA, pois no conselho da defesa da OTAN lideram os norte-americanos".

"Como se trata de uma área muito importante, a defesa, bem como a diplomacia, não pode ser resultado de geopolíticas diferentes: o Reino Unido ainda faz parte e tem uma política diferente da França, que por sua vez se distingue da política alemã e da italiana", explicou Christophe Reveillard.

Ele sublinhou que ter uma defesa verdadeira teria de haver um estado federado e uma fusão das nações.

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«O artigo 'J', que define a estratégia diplomática e vários outros artigos relacionados à defesa, segurança, política, todas sem exclusão remetem à OTAN. <…> Seria necessário que todos os acordos fossem revistos e fosse desenvolvida uma nova visão da defesa europeia, que para mim parece hoje absolutamente irrealizável», assinalou Reveillard.

Outro especialista entrevistado pela Sputnik França, François Lafond, professor do Instituto de Pesquisa Política de Paris e representante do centro analítico europeu Volta, destacou que agora apenas é possível a unificação de algumas partes dos exércitos nacionais para agir em caso de necessidade. Contudo, ele acredita que um exército europeu é algo que, por enquanto, não pode ser criado.

Jérôme Lambert, deputado socialista e vice-presidente da Assembleia Nacional Francesa para os assuntos europeus, por sua vez, tem o mesmo ponto de vista. Ele frisa que a criação de um exército comum exige a proteção de interesses estratégicos, econômicos e outros, e isso, como considera o especialista, está muito longe da situação atual na Europa.

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