Opinião: China demonstra interesse em assumir liderança na garantia da segurança regional

© AFP 2022 / GREG BAKERImagem do mapa que mostra ilhas disputadas no mar do Sul da China, Pequim, China
Imagem do mapa que mostra ilhas disputadas no mar do Sul da China, Pequim, China - Sputnik Brasil
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Em matéria exclusiva da Sputnik China, o especialista russo em assuntos militares, Vasily Kashin, comenta as disposições mais marcantes do documento oficial recém-divulgado sobre a política chinesa quanto à segurança na região asiática.

O Livro Branco sobre a política chinesa na área de cooperação de segurança na Ásia-Pacífico, divulgado em 11 de janeiro pela assessoria de imprensa do Conselho de Estado da China, revela os detalhes da opinião de Pequim relacionada à manutenção de paz e estabilidade na região.

Anteriormente, autoridades chinesas já fizeram várias declarações sobre esse tema, tanto de modo independente como juntamente com a Rússia. Por exemplo, o novo Livro Branco (por tradição, estes são os documentos oficiais que traçam alicerces e propostas em domínio especifico da política do Estado) referencia o discurso de Xi Jinping na Conferência sobre Interação e Medidas de Construção de Confiança na Ásia em 2014, que, por sua vez, também incluía ideias já expressas.

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Entretanto, essa é a primeira vez que a visão das autoridades chinesas sobre segurança regional é expressa com tantos detalhes, assinala o especialista.

"A publicação de um documento tão pormenorizado pode ser entendida como sinal de que a China esteja disposta a assumir liderança na manutenção da paz na região, a debruçar-se sobre a elaboração das regras do jogo na Ásia em conformidade com o poderio e influência obtidos ao longo dos últimos anos. Deste modo, o Livro Branco é um passo importante para a China na formação do seu padrão político como potência militar", explicou Kashin à Sputnik China.

Ao contrário do Livro Branco sobre a estratégia militar, publicado em 2015, e os Livros Brancos sobre a segurança nacional anteriores, o documento em questão é focado nos aspetos positivos das relações entre a China e os principais participantes políticos na Ásia.

"Até mesmo o que diz respeito às relações sino-americanas e nipo-chinesas, destaca-se o lado positivo destes laços, embora seja reconhecida a existência de uma série de problemas e ameaças. A atual cooperação estratégica com a Rússia foi extremamente bem avaliada", frisa o especialista ao analisar o documento.

Vale ressaltar também que, o conceito de segurança regional da China defende a continuidade dos mecanismos de diálogo sobre as questões de segurança já estabelecidas na Ásia do Leste, prontificando-se usá-las e se basear nelas ao invés de criar alternativas para as mesmas, continua o especialista.

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O livro enumera os mecanismos de segurança já existentes e os caracteriza tendo a China como participante deles, sendo que "a Organização para Cooperação de Xangai, a única organização criada por iniciativa chinesa, ocupa o penúltimo lugar entre estes mecanismos". A China não considera importante o papel desta estrutura fora da Ásia Central, mesmo sendo evidente o crescimento da organização graças à adesão da Índia e Paquistão, pormenoriza Kashin.

De modo escrachado, a China está promovendo uma ideia para resolver os problemas da segurança regional baseada em um consenso amplo entre as potências regionais, evitando internacionalização dos conflitos, apresentação a entidades judiciais internacionais e envolvimento de forças estrangeiras.

"Aconselha-se que os países pequenos evitem os jogos de politica de coalizões e criação de alianças com grandes potências. Tal padrão de relações, de modo natural, contribui para a promoção dos interesses da China que vai resolver os problemas no âmbito de um diálogo bilateral conduzido, na maioria dos casos, com personagens muito menores e menos influentes no palco internacional", detalhou o especialista militar.

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Ao enumerar as principais ameaças para a segurança regional, a China evita mencionar o problema de Taiwan, embora, recentemente, tenha havido tendência de agravamento desta questão. "Evidentemente, a China está frisando que a questão é interna e não pode ser objeto de discussão ampla internacional", observa Kashin.

Podemos assumir, diz o analista, que a publicação do Livro é um passo para revitalizar a diplomacia chinesa em questões mais importantes de segurança, tanto regional como internacional, inclusive o assunto da defesa antimíssil, não proliferação, situação no mar do Sul da China e muitos outros.

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