Oficial alemão sobre militares americanos na Europa: EUA inventam ameaças que não existem

© AFP 2022 / CHRISTOF STACHESoldados norte-americanos durante exercícios em Grafenwoehr, sul da Alemanha, maio de 2016
Soldados norte-americanos durante exercícios em Grafenwoehr, sul da Alemanha, maio de 2016 - Sputnik Brasil
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Os Estados Unidos estão deslocando uma brigada com milhares de efetivos para a Europa Oriental através da Alemanha. A Sputnik falou com um tenente-coronel aposentado perguntando se isso está de acordo com as leis alemãs.

Jochen Scholz, tenente-coronel do Bundeswehr que serviu na OTAN, comentou para a Sputnik Alemanha a situação na Europa. Ele destaca que tudo decorre no âmbito do acordo bilateral entre os EUA e Polônia e não no âmbito da OTAN, por isso surgem questões da base jurídica do papel da Alemanha neste negócio.

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De acordo com Scholz, a quantidade de efetivos e de material militar depende dos objetivos que os EUA têm, "não se pode fazer uma guerra com este número de militares", diz ele.

A situação atual faz lembrar o período da Guerra Fria, naquela época havia um plano que pressupunha, em caso de conflito, o envio de até 900 mil soldados americanos via aeroporto de Frankfurt. As bases europeias dos EUA eram uma espécie de trampolim, explica o ex-militar alemão.

"Surge a questão: conforme qual base jurídica têm os EUA suas bases militares na Europa? Esta base é garantida pelo tratado da OTAN, mas tudo o que ultrapassa seus limites, inclusive a projeção de forças americanas para outras regiões, não tem nada a ver com o acordo sobre implementação de militares", disse Scholz.

Se trata da maior implementação de tropas dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, entretanto nada indica uma situação grave, frisa o oficial alemão. Ele destaca quatro pontos:

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"Primeiro, a administração de Obama tenta dificultar a vida ao novo presidente. Segundo, eles tentam mostrar aos europeus o quanto a Rússia é perigosa e como ela ameaça os Países Bálticos. Terceiro, estas operações fazem as pessoas se acostumarem a que os gastos militares vão crescendo. E quando a Rússia reagir, aparecerá o quarto argumento: estão vendo, nós apenas protegemos os Países Bálticos e já os russos reagem e colocam suas forças ofensivas na região."

Scholz declara que todo mundo sabe que a Rússia não tem planos para intervir nos Países Bálticos.

"É apenas um elemento do jogo. Estão sendo inventadas ameaças, que na verdade não existem, para justificar os gastos. <…> Políticos europeus participam deste jogo e dizem aos seus cidadãos que eles estão sendo ameaçados pelos russos", sublinha Scholz.

Ele lembrou a observação de Putin feita alguns dias atrás que "entre Moscou e Vladivostok há 9.000 quilômetros e há que fazer outras coisas além da conquista dos Países Bálticos".

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