Lavrov: Rússia não pretende antecipar os acontecimentos

© Sputnik / Mikhail Voskresensky / Abrir o banco de imagensMinistro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov durante o encontro com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, Moscou, Rússia, novembro de 2016
Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov durante o encontro com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, Moscou, Rússia, novembro de 2016 - Sputnik Brasil
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O chanceler russo Sergei Lavrov falou em entrevista à agência RIA Novosti sobre a hipótese de cooperação com a administração Trump, a cooperação na Síria e o regresso da Rússia para o G8.

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Lavrov reiterou que a Rússia está pronta para trabalhar com o futuro presidente norte-americano e a sua equipe a fim de ultrapassar a crise existente nas relações bilaterais. Segundo o chanceler russo, Moscou encarou positivamente a posição de Donald Trump durante a sua campanha eleitoral e o seu desejo de melhorar as relações bilaterais.

"Durante a conversa telefônica realizada entre Putin e Trump em 14 de novembro, foi destacada a necessidade de corrigir a situação desfavorável nos contatos russo-americanos", sublinhou Lavrov.

O diplomata russo afirmou que Moscou está aberta para contatos com a nova administração, mas não apressa ninguém porque compreende que Trump ainda deve formar a sua equipe.

"Convém esperar até que o novo presidente tome posse em 20 de janeiro de 2017 e os canais de diálogo com a administração republicana funcionem em pleno".

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Lavrov afirmou também que a Rússia não pretende voltar à interação no formato do G8.

"Hoje não vemos necessidade de trabalhar no âmbito deste formato. Na nossa opinião, o G8 esgotou-se e perdeu o peso internacional. Com efeito, o G7 desempenha o papel de uma espécie de 'arranjinho entre amigos' que está atrasado em relação ao mundo em mudança impetuosa. Me refiro principalmente ao surgimento e reforço de novos influentes centros de poder, sem os quais é impossível resolver os problemas globais e regionais urgentes de forma eficiente", disse.

Além disso, segundo o chanceler russo, muitos países deste grupo sofrem de uma espécie de síndrome antirrussa. "É mais benéfico reforçar o diálogo com os países líderes, inclusive os ocidentais, mas em outros fóruns, que são mais eficientes", disse. Lavrov indicou que o G20 é um formato mais representativo, que inclui países desenvolvidos, bem como países emergentes.

"Damos importância especial ao aprofundamento de cooperação no âmbito da OCX e do BRICS. Estamos seguros de que o trabalho conjunto com os parceiros nestas associações, com base no direito internacional e na Carta da ONU, não só corresponde aos interesses dos nossos povos, mas também contribui para a consolidação de tendências positivas <…> nos assuntos globais e regionais", disse Lavrov.

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O alto diplomata russo declarou que, desde o início da operação russa na Síria, Moscou propôs aos EUA estabelecer contatos entre departamentos militares.

"Apesar das declarações públicas do presidente Barack Obama de que a luta contra o terrorismo exige a coordenação de todos os esforços, os EUA praticamente não reagiram às nossas propostas de cooperação e recorreram somente a assinatura do Memorando sobre a prevenção de incidentes no ar", disse o chanceler russo.

Lavrov sublinhou que, depois do ataque aéreo da coalizão internacional contra a cidade de Deir ez-Zor, onde morreram 62 militares sírios, foi cancelado o acordo sobre a criação do Grupo Executivo Conjunto, que devia coordenar as ações da Força Aeroespacial da Rússia e da coalizão nos ataques contra os terroristas na Síria.

"<…> Em 18 de dezembro, o secretário de Estado norte-americano John Kerry disse abertamente em entrevista ao jornal Boston Globe que a responsabilidade pelo fracasso do acordo é dos membros do gabinete norte-americano, que estão categoricamente contra qualquer interação com a Rússia. <…> É por isso que era ingénuo esperar da administração atual quaisquer outras atitudes nas semanas que restam até ao fim do seu mandato", disse.

Entretanto, disse Lavrov, a Rússia está pronta para cooperar com a administração Trump não somente na luta contra o terrorismo.

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