Analista: abrandamento das relações entre Cuba e EUA terminará com posse de Trump

© REUTERS / Carlos BarriaVisita do presidente dos EUA, Barack Obama, à Cuba.
Visita do presidente dos EUA, Barack Obama, à Cuba. - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
Como se fossem peças de dominó, as economias latino-americanas costumam cair em recessão uma vez que seu vizinho se encontra em situação difícil. Foi isso que aconteceu com Cuba – Havana sentiu na pela todo o complexo de problemas de Caracas.

Durante uma reunião da Assembleia Nacional, o presidente cubano, Raúl Castro, afirmou que ao longo do ano os ritmos de crescimento reduziram em 0,9%. Neste contexto, vale ressaltar a forte influência da queda das exportações de petróleo venezuelanas sobre a economia cubana.

Bandeira nacional de Cuba em Havana - Sputnik Brasil
Manifestações da oposição em Cuba têm dezenas de detidos em várias partes do país
Castro está otimista e afirma que, nos próximos anos, o país poderá atingir o crescimento de 4% (entretanto, não esclarece bem, de que maneira, mas apelou para conduzir negociações com parceiros ocidentais à cata de investimentos).

Então, a caneca cubana parece estar meio cheia. Mas será que os planos do ex-revolucionário se realizarão da maneira descrita por ele? Confira as ideias do diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais da Academia Russa de Economia e Serviço Público junto ao presidente da Rússia, Aleksandr Chichin, sobre a questão.

Vida sem 'presentes venezuelanos'

Embora a redução de apenas 0,9% do PIB cubano pareça humilde quando comparada com o colapso brusco da economia venezuelana, há uma dependência direta entre o bem-estar econômico destes países, afirma Chichin ao serviço russo da Rádio Sputnik.

"Por tradição, desde a época de Chávez, o petróleo [da Venezuela] sempre foi 'de graça'. Agora os cubanos são obrigados a utilizar suas próprias forças. Ou seja, com os três principais ramos de produção — exportações de níquel, cana de açúcar e turismo", analisa o especialista.

Ao falar da cooperação com a Venezuela e o provável papel da Rússia nas exportações de petróleo, Chichin afirma que os países continuarão cooperando e Cuba não deixará de receber petróleo cubano com grande desconto, embora, "dentro da Venezuela haja opiniões diferentes quanto ao assunto, já que o país está em uma situação que não se pode dar presentes".

Quanto à Rússia, é pouco provável que ela vire grande parceiro comercial cubano. A única área onde a interação entre os dois países vai diversificar-se é no setor militar, concluiu o especialista.

Há dois passos entre amor e ódio?

Claro que, ao falar de Cuba atual, não se pode esquecer o assunto das relações bilaterais com os Estados Unidos. Após o histórico encontro de Barack Obama com o líder cubano e sua decisão de restaurar as relações diplomáticas, entre as elites cubanas "reina a esperança de que o abrandamento das relações com os EUA ajude [a revitalizar a economia]".

Barack Obama e Raúl Castro em cartaz que dá boas vindas ao presidente dos EUA a Cuba - Sputnik Brasil
Casa Branca: reverter a aproximação com Cuba pode ser prejudicial aos EUA
No entanto, Chichin afirma que não acredita em tal cenário.

"Acho que este abrandamento terminará em 20 de janeiro, quando Trump tomará posse. Para ele, a questão de direitos humanos em Cuba é crucial, ele encontrou um pretexto para si. Há dois fatores que não se pode contornar — primeiro, o embargo econômico introduzido pelas autoridades norte-americanas, e o fato dos Estados Unidos continuarem possuindo a base militar em Guantánamo, que é um território soberano de Cuba", resume.

Parceiros alternativos

Porém, o mundo não se reduz aos EUA — por exemplo, a União Europeia e a Índia têm mostrado grande interesse em cooperação com Cuba nos últimos tempos. Por exemplo, no ano passado, a Índia investiu 4 bilhões de dólares na "Ilha da Liberdade".

Nesta segunda-feira, 20, Estados Unidos e Cuba restabeleceram relações diplomáticas, após 54 anos de interrupção - Sputnik Brasil
Dois possíveis cenários das relações entre EUA e Cuba após eleições presidenciais
Já a UE aprovou uma regra segundo a qual os países-membros não precisam seguir uma "linha única" em relação a Cuba. A partir de agora, cabe a cada Estado tomar suas próprias decisões. Esta proposta tem sido ativamente promovida pela Espanha, o que não é de estranhar, pois muitos cidadãos deste país possuem descendentes e familiares na ilha.

"Os espanhóis esperam muito entrar neste mercado. Eles perderam Cuba já faz mais de um século, mas não deixam de sonhar em voltar. <…> Acho que os turistas espanhóis gostariam de viajar para lá, sem falar das empresas de telecomunicações que se instalariam lá, com certeza", realça o especialista, dizendo que tais tendências chegam a ser visíveis na imprensa espanhola.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала