Peixes-parasitas ajudam a desvendar surgimento do cérebro humano

© AFP 2022 / ERNESTO BENAVIDES / AFPDoutora Diana Rivas exibe cérebro humano no Museu de Neuropatologia em Lima, Peru, 16 de dezembro de 2016
Doutora Diana Rivas exibe cérebro humano no Museu de Neuropatologia em Lima, Peru, 16 de dezembro de 2016 - Sputnik Brasil
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Geneticistas russos encontraram no DNA de lampreias, peixes primitivos, o gene especial cuja evolução permitiu aos nossos antepassados evoluir uma caixa craniana e um cérebro complexo, segundo artigo publicado na revista Scientific Reports.

"Nós encontramos na lampreia, vertebrado mais antigo, o gene Anf/Hesx1, fato-chave na criação de condições para o surgimento em organismos vertebrados, incluindo nós, do cérebro nos ancestrais do ser humano", a assessoria de imprensa do Instituto cita as palavras de Andrey Zaraisky, cientista do Instituto de Química Biorgânica da Academia de Ciências da Rússia.

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Uma das principais diferenças entre os vertebrados contemporâneos e os representantes invertebrados é que temos um cérebro complexo, superdesenvolvido e coberto por uma proteção resistente — o crânio, que protege o tecido nervoso suave de danos. Como surgiu esta estrutura e o que veio primeiro — cérebro ou crânio — continua a ser um tema debatido entre os cientistas.

Zaraisky e seus colegas se aproximaram de encontrar resposta para perguntas relacionadas à evolução dos antepassados dos humanos e de todos os outros vertebrados através do estudo realizado com genes que agem nos embriões de lampreias. Os cientistas estão determinando quais genes estão presentes no DNA dos vertebrados e não são encontrados em insetos e outros invertebrados.

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Já em 1992, segundo os geneticistas russos, eles conseguiram encontrar no DNA dos embriões de rãs o gene Xanf, responsável pelo crescimento da parte dianteira do embrião, incluindo cérebro e rosto. Segundo especialistas, este gene pode "conduzir" o crescimento do cérebro e do crânio em organismos vertebrados, mas a sugestão não deu frutos, pois o gene não foi encontrado em lampreias e myxinis, peixes vertebrados primitivos.

Revelou-se que no DNA desses peixes há o gene, embora em forma um pouco modificada. Os cientistas necessitaram usar várias técnicas para "extrair" o gene Xanf do embrião e para provar que ele age como seu análogo no DNA de rãs, humanos e outros animais.

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O estudo do funcionamento do gene em questão mostrou que ele age quase da mesma maneira que o seu análogo no DNA de vertebrados mais "avançados", mas com uma pequena exceção: o gene começa a agir um pouco mais tarde que o normal. Por isso, crânio e cérebro de lampreia possuem tamanho mediano.

No entanto, as semelhanças em estrutura e funções de trabalho entre Anf e Hesx1 e Xanf mostram que o gene — de cerca de 550 milhões de anos atrás — desempenha um papel determinante na vida dos vertebrados. É provável que o gene seja um dos propulsores da evolução dos antepassados mais distantes do ser humano.

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