'Americanos nunca cooperam, seja qual for o partido do presidente'

© AFP 2022 / JEWEL SAMADPresidentes dos EUA, Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton, George H.W. Bush e Jimmy Carter na cerimónia perto de Centro presidencial de George W. Bush em Dallas, Texas, EUA, abril de 2013
Presidentes dos EUA, Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton, George H.W. Bush e Jimmy Carter na cerimónia perto de Centro presidencial de George W. Bush em Dallas, Texas, EUA, abril de 2013 - Sputnik Brasil
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Desde o primeiro encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente eleito dos EUA Donald Trump, a conversa entre Moscou e Washington terá a ver com a parte substantiva das relações, afirmou o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, em entrevista à agência RIA Novosti.

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Na segunda-feira (19), em Moscou foram realizadas negociações entre os chanceleres da Rússia, Irã e Turquia, dedicados ao conflito sírio. Ryabkov sublinhou que, após a reunião, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, teve uma conversa telefônica com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Ryabkov destacou que não é possível resolver muitos assuntos sem a participação norte-americana. Entretanto, até o último momento, os EUA têm promovido uma linha passiva e até mesmo destrutiva em relação ao conflito na Síria.

"Por isso, o encontro com os colegas da Turquia e Irã foi oportuno. Se os EUA agora estão prontos a trabalhar para pacificar e mitigar a situação humanitária, não admitir mais incidentes de troca de alvos dos terroristas <…> o que, na nossa opinião, os EUA praticam, há possibilidade de cooperação", disse Ryabkov.

O vice-ministro russo frisou que, algum tempo atrás, era difícil imaginar que países como a Turquia, Rússia e Irã elaborariam um texto único e aceitável para todos sobre a questão síria.

"É importante porque reflete uma visão comum das capitais que inicialmente tinham posições não coincidentes", disse Ryabkov.

O alto diplomata russo disse que a única agenda que os três países têm é buscar meios para estabilizar, melhorar a situação humanitária, não admitir novos sofrimentos para os residentes do país. Ryabkov afirmou que, nestas condições, não pode existir uma agenda secreta. Além disso, o vice-ministro russo sublinhou que agora o destino do presidente sírio Bashar Assad não está na agenda, há assuntos mais urgentes como o recomeço do processo político.

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Quanto à nova administração norte-americana, a Rússia não esperará por propostas da parte norte-americana, disse Ryabkov.

"Não, receber impulsos do exterior e ficar à espera não é a prática da nossa diplomacia, isso não corresponde ao curso ativo de política externa que a parte russa realiza. O presidente e o ministro [das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov] insistem que nos foquemos no futuro", disse o vice-ministro, sublinhando que no mundo contemporâneo é muito difícil prognosticar, mas a Rússia está fazendo tudo para formar uma agenda construtiva para as relações bilaterais depois da chegada da nova administração.

O vice-chanceler russo disse que agora há três fatores que podem travar a melhoria das relações russo-americanas. O primeiro é que, durante últimos anos, tem existido uma forte atitude antirrussa nas instituições norte-americanas.

"O segundo, devo dizê-lo, é que durante muitos anos tem se ficado com a ideia de que os norte-americanos nunca cooperam, independentemente do partido que o presidente representa <…>, se determinado assunto não corresponde aos interesses norte-americanos. Nós, também não cooperamos se isso não corresponde de forma precisa aos respetivos interesses russos. Por isso, é muito difícil encontrar aspetos comuns de dois imperativos onde a cooperação seja mutuamente benéfica, embora não seja impossível", disse Ryabkov.

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O terceiro fator é que a Rússia não compreende bem os elementos da futura política norte-americana em relação à Rússia. Há poucas informações.

Ryabkov disse que ainda não é claro quando será o primeiro encontro entre os presidentes dos dois países. Este assunto será decidido pelos próprios presidentes, afirmou. O prazo mais provável é 2017.

O diplomata russo afirmou que agora a mídia ocidental apresenta os fatos relacionados à Rússia de forma que não corresponde à verdade, especialmente os referentes ao futuro secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson. Ryabkov expressou a esperança de que a experiência de trabalho com parceiros russos ajudará Tillerson a melhorar as relações russo-americanas.

"Não temos contatos com a equipe de Trump. Confirmo isso", disse o diplomata russo.

Além disso, Ryabkov desmentiu as informações do canal NBC de que, em outubro, o presidente norte-americano Barack Obama teria contatado Putin para o avisar sobre as consequências do alegado envolvimento russo nas presidenciais nos EUA. "Não, não confirmo isso", sublinhou Ryabkov.

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