Jornalista destaca histeria da mídia do Ocidente em torno da situação em Aleppo oriental

© Foto / Vanessa BeeleyMulheres e crianças em um ponto de assistência em Aleppo oriental
Mulheres e crianças em um ponto de assistência em Aleppo oriental - Sputnik Brasil
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Vanessa Beeley, correspondente investigativa e ativista, responsável por reportagens na Síria, revelou alguns fatos importantes e compartilhou sua visão sobre a situação atual na cidade síria de Aleppo.

Soldados sírios na parte oriental de Aleppo, 16 de dezembro de 2016 - Sputnik Brasil
Terminou a operação do exército sírio para libertar Aleppo oriental
Segundo ela, "atualmente se vê uma grande histeria das principais fontes da mídia quanto à situação em Aleppo oriental", sendo que a maioria das edições se baseia em informações não confirmadas, deturpando, assim, os fatos reais.

Em entrevista à Sputnik Internacional, Beeley contou que antes de voltar a Damasco, passou três dias em Aleppo oriental.

"Visitamos o bairro de Hanano de onde militantes foram expulsos há um dia ou há dois dias, falamos com os residentes locais. Presenciamos o triunfo após a libertação da cidade dos grupos armados, chefiados pela Frente al-Nusra", conta Beeley.

© Foto / Vanessa BeeleyPraça principal na antiga cidade de Aleppo oriental, libertada um dia antes pelo exército sírio
Praça principal na antiga cidade de Aleppo oriental, libertada um dia antes pelo exército sírio - Sputnik Brasil
Praça principal na antiga cidade de Aleppo oriental, libertada um dia antes pelo exército sírio

Os residentes locais contaram para Beeley que as forças do governo sírio estavam providenciando toda a assistência necessária para eles: comida, roupa e alojamento. A jornalista encontrou muitas crianças exaustas de fome. Segundo ela, em todos os lugares, o exército sírio e os militares russos estavam entregando alimentos à população faminta.

Civis sírios deixam zonas controlados por extremistas, Aleppo, 13 de dezembro - Sputnik Brasil
Rebeldes de Aleppo tentam levar prisioneiros consigo durante evacuação
Porém, segundo Beeley, o problema é que a ajuda humanitária chegava também aos terroristas, como alimentos e remédios, que depois eram vendidos por preços inimagináveis para as reais vítimas do conflito:

"Muitos civis recebiam comida em quantidades limitadas. Por exemplo, uma mulher nos contou que a sua família de 12 pessoas recebia apenas 12 fatias de pão a cada três dias", recorda.

© Foto / Vanessa BeeleyMenino com olhar exausto à espera do recebimento de comida em Aleppo oriental
Menino com olhar exausto à espera do recebimento de comida em Aleppo oriental - Sputnik Brasil
Menino com olhar exausto à espera do recebimento de comida em Aleppo oriental

"Visitamos Hanano e Sheikh Saeed, que foram libertados ontem à noite. Visitamos a antiga cidade de Aleppo, onde, no dia anterior, aconteceram combates violentos", conta.

Evacuação em curso em Aleppo oriental, 15 de dezembro de 2016 - Sputnik Brasil
Mulheres e crianças evacuadas dos bairros controlados por militantes em Aleppo
Beeley revela que testemunhou as consequências dos combates entre os militantes e o exército sírio. Quando Aleppo finalmente passou a ser controlada por Damasco, ela viu o triunfo e alegria na parte norte da cidade.

"Todas as histórias absurdas de que as forças do governo sírio, alegadamente, vinham executando civis violentamente, causam-me indignação. Não vimos nada disso", conta a jornalista.

Beeley lembrou que, em hospitais de campo russos, os médicos estavam tratando todos os tipos de ferimentos dos civis dos bairros ocupados por militantes. Ela até recebeu permissão de entrar e gravar uma reportagem.

No entanto, Beeley foi informada que muitos hospitais se transformaram, de fato, em locais de tratamento de terroristas.

© Foto / Vanessa BeeleyCrianças durante a evacuação em Aleppo oriental
Crianças durante a evacuação em Aleppo oriental - Sputnik Brasil
Crianças durante a evacuação em Aleppo oriental

"A culpa é dos terroristas que recebiam apoio dos países do Golfo Pérsico e da OTAN e que privaram essas pessoas de liberdade, usando-as como escudo humano, violando meninas e aprisionando crianças de oito anos", reclama a jornalista.

Beeley chamou atenção ao fato de que muitos soldados do exército sírio, especialmente aqueles no bairro de Hanano, conseguiram retornar às suas casas.

Sírios evacuados de Aleppo oriental chegam na região de Khan al-Aassal, controlada pela oposição, em 15 de dezembro de 2016, a primeira parada rumo aos campos temporários na periferia de Idlib. - Sputnik Brasil
Mais de 6.400 pessoas evacuadas de Aleppo oriental em 24 horas
A jornalista ressaltou que a tomada de Aleppo revelou as mentiras das principais fontes da mídia que deram informações erradas e enganaram muitos durante os últimos quatro anos, desde o início da guerra na Síria. Beeley aponta que a ONU começou a mudar de opinião em relação a várias questões. Segundo ela, publicar artigo e sem verificar a fonte de informação é uma prática inaceitável ao jornalismo, conclui.

Em 15 de dezembro, o Estado-Maior das Forças Armadas russas comunicou que as forças do governo e a milícia estavam concluindo a libertação de Aleppo oriental dos terroristas. Mais de 6 mil pessoas, incluindo militantes, deixaram Aleppo oriental nas primeiras 24 horas da operação de evacuação.

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