Qual será a política de Trump em relação aos separatistas do Tibete?

© AFP 2022 / FABRICE COFFRINIManifestantes da comunidade tibetana na Europa com cartaz "Xi Jinping, pare de matar no Tibete" durante o protesto perante o edifício da ONU em Genebra, Suiça, 16 de setembro de 2016
Manifestantes da comunidade tibetana na Europa com cartaz Xi Jinping, pare de matar no Tibete durante o protesto perante o edifício da ONU em Genebra, Suiça, 16 de setembro de 2016 - Sputnik Brasil
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O presidente eleito dos EUA Donald Trump anulou uma das intrigas nas relações com a China. Na quarta-feira (7), ele confirmou a nomeação do governador do estado do Iowa, Terry Branstad, para o posto de embaixador norte-americano na China.

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Trump expressou sua esperança de que o conhecimento pessoal do novo embaixador com o líder chinês Xi Jinping será para ele uma ajuda.

Entretanto, um gesto pouco amigável do presidente eleito – uma conversa com a chefe da administração de Taiwan, o que não acontecia já há quase 40 anos – se tornou mais uma surpresa pouco agradável para Pequim. Mais cedo, Dalai Lama também expressou sua vontade de se encontrar com Trump.

Dalai Lama é um visitante frequente da Casa Branca. O presidente atual dos EUA, Barack Obama, convidou-o à sua residência por quatro vezes em oito anos. A última vez foi em junho deste ano e provocou um forte protesto de Pequim.

"Estou vendo que há alguns problemas nos Estados Unidos e parto para lá para me encontrar com o novo presidente", destacou o Dalai Lama. Em resposta, Pequim avisou Washington contra quaisquer ações que possam violar a soberania da China e o princípio de "China única" nas relações sino-americanas.

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Entretanto, o problema não desapareceu, especialmente tendo em conta que Trump sabia muito bem que esta conversa levaria a mais divergências entre os EUA e a China. Talvez a visita pessoal de Dalai Lama aos EUA seja uma ofensa ainda mais forte para a China e o povo chinês. O analista do Instituto de Problemas Internacionais Atuais da Academia Diplomática do MRE, Andrei Volodin, disse à Sputnik China que isso dependerá de Trump.

"Penso que Trump é um homem pragmático. Neste contexto, ele parte dos interesses da política externa dos EUA. Agora é muito difícil dizer se a conversa ou encontro de Donald Trump com Dalai Lama terá lugar, porque isto pode significar uma tentativa de exercer pressão suave sobre a China e o seu presidente Xi Jinping", disse.

Na opinião do professor da Universidade de São Petersburgo Aleksandr Sergunin, agora ainda é cedo para falar da política de Trump em relação ao Tibete. Na opinião dele, o assunto do Tibete não terá uma grande importância para Trump.

"Os centros de pensamento que estão por trás de Trump têm uma atitude antichinesa, mas na área do comércio e da geopolítica", disse.

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A questão do Tibete, a sua separação da China, sempre foi um fator de desestabilização nas relações sino-americanas, segundo indicam documentos desclassificados do Departamento de Estado dos EUA e da inteligência norte-americana. Eles mostram que o financiamento de Dalai Lama foi realizado através das mesmas estruturas que a realização de operações militares com a participação de rebeldes no Tibete antes da sua libertação pelo exército chinês em 1951.

Durante os anos 1960, a CIA fornecia aos separatistas do Tibete até 1,7 milhões de dólares por ano para realizarem operações contra a China, incluindo pagamentos pessoais a Dalai Lama de 180 mil de dólares, o que naquele período era um valor muito grande.

Todos os anos o Departamento de Estado norte-americano divulga relatórios sobre a situação dos direitos humanos no Tibete criticando as autoridades chinesas. Estes relatórios são sempre uma causa de tensões nas relações bilaterais porque, segundo a China, são copiados de um ano para outro e não têm em conta o progresso da situação.

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O relatório seguinte será publicado já depois da tomada de posse de Trump. Ele será a primeira oportunidade para Trump alterar sua atitude em relação ao assunto.

O especialista do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Nanquim, Zhu Feng, disse que não espera um degelo das relações sino-americanas na questão do Tibete.

"Uma das razões para isso é a tradição dos representantes da administração norte-americana e da liderança do país em se focarem no apoio à 'democracia' e 'liberdade religiosa'. Com efeito, isso não está relacionado com a questão do Tibete e é uma ingerência grosseira nos assuntos internos da China", opinou.

É evidente que os especialistas continuarão comparando as somas de ajuda financeira dos EUA ao Tibete. Agora os EUA ocupam o segundo lugar, depois da Índia, em relação ao financiamento dos separatistas. Isso significa que o Tibete ainda está entre os instrumentos que os EUA podem usar contra o gigante econômico da Ásia.

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