'Putin tem que vencer pressões do staff americano para reiniciar relações com EUA'

© Sputnik / Mikhail Klimentyev / Abrir o banco de imagensPresidente da Rússia Vladimir Putin fala perante a Assembleia Federal russa, Kremlin, Moscou, Rússia, 1 de dezembro de 2016
Presidente da Rússia Vladimir Putin fala perante a Assembleia Federal russa, Kremlin, Moscou, Rússia, 1 de dezembro de 2016 - Sputnik Brasil
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Nesta quinta-feira, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, dirigiu ao Parlamento russo a sua tradicional mensagem de fim de ano. Como de hábito, Putin abordou aspectos das políticas interna e externa da Rússia.

Na área internacional, o Presidente Putin salientou sua expectativa de que, sob a Presidência de Donald Trump, os Estados Unidos aceitem os planos da Rússia de reiniciar as relações com o país, relações que ficaram bastante abaladas no segundo mandato do atual presidente, Barack Obama, principalmente a partir da incorporação da Crimeia e de Sevastopol pela Rússia, após o referendo realizado em 16 de março de 2014 nas duas regiões.

Presidente da Rússia Vladimir Putin fala perante a Assembleia Federal russa, Kremlin, Moscou, Rússia, 1 de dezembro de 2016 - Sputnik Brasil
Vladimir Putin fala à Assembleia Federal da Rússia
   

Sobre as considerações apresentadas por Putin ao Parlamento em torno da política externa russa, com ênfase numa possível retomada com os Estados Unidos, na futura era Donald Trump, Sputnik conversou com o professor de Relações Internacionais Diego Pautasso, da Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul), especialista em assuntos da Rússia.

"Novamente se realimentam as expectativas e o desejo da Rússia de reiniciar as relações com os Estados Unidos", diz Pautasso. "O Governo russo tem manifestado esse interesse ao longo de todo o século 20, mas a política externa dos Estados Unidos tem sido de fomentar e de construir uma nova Guerra Fria através de uma certa vilanização da Rússia e do Governo russo. Minha única dúvida com relação a este ponto é a pressão que evidentemente o novo Governo vai sofrer do staff tradicional, do Departamento de Estado, da CIA, dos órgãos de poder que obviamente pressionam a tomada de decisão do presidente eleito."

A declaração do Presidente Putin foi de que "a Rússia está pronta para cooperar com a nova administração dos Estados Unidos, do próximo Presidente Donald Trump. É de extrema importância desenvolver as relações bilaterais de forma igualitária e mutuamente benéficas. A cooperação entre a Rússia e os Estados Unidos na resolução de questões globais e regionais faz parte do interesse de todo o mundo. Dividimos uma responsabilidade: garantir a segurança e a estabilidade internacional".

Diego Pautasso diz que a cooperação entre Estados Unidos e Rússia passa pelo combate conjunto ao terrorismo:

"Passa pelo combate ao terrorismo, passa pela construção de saídas políticas para crises internacionais como, sobretudo, a da Síria. Passa por uma maior confiança comum, ou seja, pela não intervenção em assuntos relacionados às esferas de influência mais diretas das superpotências. E passa também por derrubar as sanções que estão sendo feitas contra a Rússia nos últimos anos. Acho que são alguns pontos de partida importantíssimos para que haja uma maior articulação entre as potências e um sistema de governança um pouco mais estável que evite uma escalada de guerra que é um cenário não descartado da conjuntura internacional atual."

O Professor Diego Pautasso analisa ainda a especulação de que em função da mútua admiração entre Vladimir Putin e Donald Trump o futuro presidente dos Estados Unidos (será empossado em 20 de janeiro de 2017) começará a levantar as sanções contra a Rússia ou se, pelo menos, poderá abrandá-las:

Vista do Kremlin e Ministério das Relações Exteriores da Rússia - Sputnik Brasil
Rússia não aceitará pressão dos EUA e promete uma firme resposta

"Eu costumo chamar a atenção para a diferença que existe em política do desejo e das concepções do governante daquelas outras que são a tomada de decisão em função de toda uma correlação de forças, pressões, lobbies e interesses fortemente arraigados na estrutura do Estado e da economia de cada país. Obama tinha determinados interesses objetivos e planos de governo, e muitos deles ficaram limitados pelos interesses objetivos de Wall Street, da indústria do petróleo e da indústria da guerra, de modo que ele não pôde recuar, não pôde implementar uma série de desejos. Eu acho que essas são limitações que se impõem a qualquer governante, e com Trump não será diferente. Resta saber em quais aspectos ele poderá recuar, e em quais não; resta também saber quais aspectos Trump vai conseguir implementar, entre eles a reconstrução de relações mais amistosas com a Rússia."

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