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Planetólogos desvendam mais um segredo do 'coração congelado' de Plutão

CC0 / NASA Solar System Explora / Representação artística da superfície de Plutão com Caronte à distância
Representação artística da superfície de Plutão com Caronte à distância - Sputnik Brasil
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As famosas planícies do satélite, onde está localizado o brilhante "coração" de Plutão, poderiam ter mudado de posição e assumido a forma atual mesmo que um grande asteroide não tivesse caído em Plutão, de acordo com artigo publicado pela revista Nature.

"O coração grande de Plutão tornou-se um fardo muito pesado para o pequeno planeta, responsável pela criação da depressão. Algo parecido aconteceu com a Terra quando a Groenlândia foi coberta por uma casca de gelo. [A Groenlândia] 'espremeu' a crosta terrestre, criando uma lacuna no nosso planeta, que causou uma anomalia gravitacional", disse o pesquisador Douglas Hamilton da Universidade de Maryland em College-Park (EUA).

Quando a sonda New Horizons se aproximou de Plutão e do conjunto de satélites em junho do ano passado, a primeira e a mais extraordinária característica descoberta pelos cientistas sobre sua superfície foi o famoso "coração" de Plutão, planície de cor mais clara quando comparada ao resto da superfície do nanico planeta.

Imagem de Plutão feita pela sonda NASA New Horizons - Sputnik Brasil
Nascimento do 'coração' virou e rachou Plutão
Essa forma de relevo, de acordo com planetólogos, que se baseiam nos dados da sonda New Horizons, originou-se há muito tempo como resultado da queda de um grande asteroide, cujo diâmetro provavelmente superava os 200 km. O cataclismo na superfície de Plutão deixou sua marca de 4 a 5 km de profundidade, alterando, assim, de forma significativa o clima do planeta e foi gradualmente preenchido com gelo de nitrogênio e dióxido de carbono.

Pouco a pouco, o acúmulo de gele na cavidade começou a "puxar" o planeta para baixo, em sequência, as planícies do satélite, que anteriormente estavam localizadas nos Polos de Plutão, começaram a se mover para a Linha do Equador. Como resultado de todas essas mudanças, Plutão está alinhado ao seu satélite Caronte, considerado o maior entre "os amigos próximos" de Plutão.

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De acordo com o pesquisador, se levarmos em consideração às fórmulas climáticas e de subsolo do planeta nanico, a primeira fase deste processo — a queda do asteroide — não teria sido de extrema importância para a formação das planícies do satélite da forma como se encontram hoje em dia.

Ele frisa que o "coração congelado" de Plutão poderia ter sido formado durante os primeiros anos de sua existência, quando o planeta nanico realizava o movimento de rotação a velocidades rápidas. O coração se locomoveu para o Polo de Plutão devido a duas coisas extraordinárias — o seu clima severo e a inclinação do eixo de rotação para 120 graus. Tais façanhas realmente poderiam explicar a localização atual do “coração gelado” do pequeno longínquo.

© Foto / Ron MillerUma pequena mancha brilhante – é assim que o sol pareceria a partir da superfície de Plutão, o décimo corpo celeste a contar do Sol e o maior planeta anão do Sistema Solar.
Uma pequena mancha brilhante – é assim que o sol pareceria a partir da superfície de Plutão, o décimo corpo celeste a contar do Sol e o maior planeta anão do Sistema Solar. - Sputnik Brasil
Uma pequena mancha brilhante – é assim que o sol pareceria a partir da superfície de Plutão, o décimo corpo celeste a contar do Sol e o maior planeta anão do Sistema Solar.

Devido a mudanças bruscas de temperatura e inclinação incomum do eixo de Plutão, como disse Hamilton, os lugares mais frios do planeta, paradoxalmente, não são os seus Polos, mas as estreitas linhas das latitudes temperadas, localizadas a uma latitude de 30 a 40 graus a norte e sul.

Com o passar tempo, as grandes geleiras, que foram formadas em tal localização, tornaram-se ainda mais frias por refletirem a luz com mais intensidade do que outras partes da superfície de Plutão. Isso acelerou a acumulação de gelo no "coração" de Plutão, consequentemente, formando uma "cratera profunda". Esses fatores foram responsáveis pela queda de temperatura do ar e o acúmulo de gelo ainda mais rápido, daí a anomalia gravitacional.

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No fim das contas, estando ou não relacionada à hipótese de formação das planícies através da queda de um grande asteroide, o eixo de rotação de Plutão começou a se deslocar, levando a mudança do coração de Plutão para mais perto da Linha do Equador, causando a virada do planeta para o maior satélite Caronte. Segundo a teoria de Hamilton, o coração vem se descongelando lentamente, e segundo o planetólogo, é possível perceber isso através das imagens feitas pela New Horizons.

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