Norte-coreanos contam a verdade sobre as condições de trabalho na Rússia

© Moran StroiNorte-coreanos em Moscou conversaram com Sputnik sobre as condições de trabalho na Rússia
Norte-coreanos em Moscou conversaram com Sputnik sobre as condições de trabalho na Rússia - Sputnik Brasil
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Reportagens sensacionalistas sobre as condições de trabalho de norte-coreanos na Rússia têm recorrido a termos como "trabalho escravo" e até "campos de trabalho forçado". Até que ponto essas preocupações são reais na Rússia? Sputnik tentou entender isso e conversou com os trabalhadores norte-coreanos em Moscou.

Os trabalhadores norte-coreanos realizam serviços na Rússia há tempos. Os primeiros vieram para a União Soviética ainda em 1960. Após a dissolução da URSS, houve um período de pouco intercâmbio, que foi retomado, entretanto, a partir do início da década de 2000. 

Em 2010, o número de cidadãos da Coreia do Norte trabalhando na Rússia aumentou ainda mais e ficou no nível de 30 mil em 2014 e 2015.

Em sua maioria, cerca de 80%, se trata de profissionais qualificados da área de construção civil, cuja idade média é de 40 anos. 

"Penso que a pergunta não deve ser para mim, mas para os jornalistas. Gostaria de entender esse nível de atenção para com os nossos trabalhadores. Os trabalhadores de outros países não possuem condições muito diferentes das nossas. Pois trabalhamos todos no mesmo país, as condições são iguais", contou o 3-o secretário de obras da Embaixada da Coreia do Norte na Rússia, Kim Chun-ik.

Ele já está há um ano e meia em Moscou. Antes disso participou de diversas obras em Vladivostok. Segundo ele, o trabalho em uma construção é obviamente pesado e perigoso. No entanto, segundo ele, trabalhar na Rússia não tem sido mais pesado que em outros locais. Muito pelo contrário.

"Vejam só. São 8 horas de trabalho diário. E às 6 da noite ainda está claro. Para onde mais nós trabalhadores podemos ir? O que vamos ficar fazendo no alojamento? Vendo TV? Queremos ganhar mais dinheiro, trabalhar mais, pelo menos até as 9. Mas isso é proibido pela legislação da Rússia".

"Assim que chega a hora, somos todos expulsos. Mesmo querendo, não é possível ficar no trabalho. Por isso terminamos bastante cedo e vamos descansar. Ou seja, trabalhamos segundo a legislação de trabalho russa", contou ao Sputnik Rim Myong-chol, chefe de obras de pedreiros norte-coreanos, envolvidos na construção de um complexo residencial no sul de Moscou. 

Ele veio para Moscou ainda em setembro de 2013 e essa jé é a sua 3 temporada na Rússia. Ele disse estar satisfeito com as condições de trabalho.

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Norte-coreanos na Rússia  - Sputnik Brasil
Norte-coreanos na Rússia

"A empresa disponibiliza tudo. Moradia, equipamento. Tudo para que o trabalho corra bem. Trabalhamos aqui e dormimos no alojamento. Comemos, em geral, nossa comida nacional, mas às vezes experimentamos a comida russa", contou outro membro do grupo de pedreiros, Kwak Chol-su, o mais jovem de todos.

"No tempo livre vemos TV, tentamos acompanhar as novidades da Coreia do Norte, para não ficar perdido, saber o que está acontecendo em casa. Jogamos xadrez coreano, ou outros jogos nacionais. Assim passamos o tempo… Temos saudades de casa, é claro. De qualquer forma, acho que em dezembro vou conseguir fazer uma visita em casa", comemora Kwak.

Segundo Kim il-lyong, diretor geral da empresa Moran Stroi, os trabalhadores ficam, em média, um ano na Rússia e depois passam um mês de férias em casa. Eles vêm para trabalhar sem as famílias e, naturalmente, todos querem visitar os parentes. Não é algo barato de se fazer, entretanto. Por isso é necessário trabalhar por cerca de 8 a 9 meses antes, para que seja financeiramente viável para a empresa russa e para a Sociedade Geral de Construção Civil no Exterior Coreana, que paga o transporte e o treinamento dos trabalhadores na Coreia.

"Por isso é ridículo quando dizem que as condições trabalhistas aqui são ruins. As normas não são estabelecidas pela empresa coreana, nem pela embaixada, mas o governo russo, as suas agências de trabalho. E essas agências cobram muito", disse o secretário Kim.

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Norte-coreanos em Moscou contam sobre as condições de trabalho na Rússia

Uma das grandes vantagens competitivas dos norte-coreanos é o fato destes aceitarem salários relativamente baixos. Segundo o secretário da embaixada coreana, o salário médio é de cerca de 230 dólares norte-americanos. Um salário baixo, considerando a média russa e no mundo. No entanto, 20% acima da média na Ucrânia, por exemplo, onde, em 2016, esta foi de 195 dólares norte-americanos.

"Acho que o Ocidente fala tanto em condições de trabalho, porque o nível de exigência lá é mais alto. Talvez eles trabalham 4 horas e outras 4 cumprem as normas trabalhistas", disse o secretário Kim à Sputnik.

"Mas eu não quero ir para lá. Para mim os povos da China e da Rússia não são estrangeiros. É mais fácil conversar e trabalhar com eles. A tradição de amizade entre os nossos povos não é por acaso. No caso dos americanos — logo se vê que eles são estrangeiros. Já os russos, ao meu ver, são pessoas muito boas".

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