Não faz sentido reforçar OTAN se Trump melhorar relações com Rússia, diz analista

© AFP 2022 / Petras MalukasBandeiras dos EUA e da OTAN em frente dos caças F-22 Raptor da Força Aérea norte-americana, na Lituânia
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Os opositores de Donald Trump consideram sua política como ‘radical’ e ‘leviana’, mas eles devem acabar com este ataque de histeria, diz a revista Foreign Policy.

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"A despeito dos gemidos dos ‘trumpófobos', na estratégia em formação do presidente eleito há muitas ideias racionais e realismo", acredita o autor do artigo, investigador principal do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Edward Luttwak.

Estamos falando de várias linhas da eventual política externa de Trump, em particular, em relação à Rússia, com quem o republicano manifestou por várias vezes, durante sua campanha eleitoral, a disponibilidade para normalizar as relações bilaterais.

"Se a política de Trump, no que se refere à Rússia, for bem-sucedida, isso diminuirá a tensão nas relações [entre os dois países], bem como a necessidade de enviar um grande número de tropas norte-americanas para a Europa visando reforçar a OTAN", analisa o autor na prestigiada revista norte-americana de relações internacionais Foreign Policy.

Além disso, Trump tem repetidamente apelado à Aliança para ter "mais honestidade" quanto à distribuição de despesas entre os vários países do bloco. Não Europa há até quem pense que a política do presidente recém-eleito dos EUA possa provocar a criação do exército próprio da União Europeia, o que na opinião do autor é uma ideia estranha, já que neste caso a União gastaria ainda mais.

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No que se refere à política europeia em geral, ela não vai depender de Trump, acredita o perito. O bilionário norte-americano demonstrou seu euroceticismo muitas vezes, mas após tomar posse ele não poderá discutir este tema de modo tão ativo, nem fazer alguma coisa. Washington não pode influenciar o funcionamento das instituições europeias.

Muitos manifestaram sua preocupação quanto à postura do republicano em relação aos acordos comerciais internacionais.

"Acreditar no comércio livre hoje em dia já virou algo parecido com uma religião, o que faz de Trump um apóstata", explicou o acadêmico.

Ele realmente não pretende ratificar o TTP (Parceria Transpacífico), que ele chamou há um ano de "péssimo acordo", mas será neste mesmo ponto que terminará sua ‘apostasia', já que nada está ameaçando nem os acordos comerciais norte-americanos, nem a posição dos EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio).

De acordo com Luttwak, "o pânico global" quanto à política externa de Donald Trump vai passar em breve. Em 17 de novembro, o presidente eleito se reuniu com o premiê japonês Shinzo Abe, o que, na opinião do autor, é um sinal da iminente "normalização" da posição da futura administração do republicano.

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