Exclusivo: Armênia tem equilíbrio de poder com míssil russo Iskander

© Serviço de imprensa presidencialEntrevista do presidente da Armênia, Serj Sargsyan, ao diretor da agência de notícias 'Rossya Segodnya', Dmitry Kisilev, para a Sputnik Armenia
Entrevista do presidente da Armênia, Serj Sargsyan, ao diretor da agência de notícias 'Rossya Segodnya', Dmitry Kisilev, para a Sputnik Armenia - Sputnik Brasil
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O presidente armênio, Serj Sargsyan, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik, na qual destacou os principais pontos da política externa de seu país, comentando as relações com a Rússia e os principais conflitos regionais.

Um dos principais assuntos da entrevista à Sputnik Armênia foi referente à escalada de hostilidades entre Armênia e Azerbaijão no início de abril, quando os dois países denunciaram o agravamento na zona de conflito em Nagorno-Karabakh.  

Corrida armamentista

Ao comentar que a Armênia é o único país, com a exceção da Rússia, que possui o míssil Iskander, ele respondeu se a exibição do armamento na última parada militar do Dia da Independência da Armênia não significava uma corrida armamentista na região. 

"Eu acredito que isto foi uma medida necessária para equilibrar de alguma forma a situação militar na nossa região. Não é segredo que o Azerbaijão nos últimos anos regularmente tem adquirido novas armas. Nós não temos esses recursos financeiros, como o Azerbaijão, eu quero dizer recursos financeiros, mas nós sempre tentamos equilibrar a situação, encontrar um antídoto". 

Segundo ele, no caso atual, o Iskander é justamente este tipo de antídoto. 

"Claro que a corrida armamentista não é uma situação muito boa, e nós não queremos ir nesta direção, mas o que fazer, se todos os dias te ameaçam com guerra, eliminação física. Você precisa tomar medidas adequadas".

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Sargsyan lembrou também que o país tem com a Rússia um acordo sobre a manutenção do equilíbrio de forças na região. 

"Eu acredito que a Rússia, a partir disto, foi na direção do nosso pedido e apresentou este excelente sistema militar. É claro, pode ser que seria melhor para a humanidade se não existissem tais sistemas, mas quando é preciso, você tem que seguir nesta direção", afirmou.

O presidente armênio também comentou o papel da Rússia na interrupção das hostilidades no território de Nagorno-Karabakh em abril. Segundo ele, a Rússia representa um papel-chave na região, apoiando a paz e a estabilidade. 

"A Rússia representou um papel-chave na interrupção das ações militares. Eu entendo as implicações da pergunta, visto que na sociedade armênia a posição equilibrada da Rússia foi percebida de forma ambígua, seja no âmbito dos meios de comunicação, seja no âmbito do Ministério das Relações Exteriores".

"O chefe do Estado Maior da Armênia e o chefe do Estado Maior do Azerbaijão se reuniram em Moscou, acordando em interromper as ações militares e voltar ao acordo sobre o fim das hostilidades de 1994. Eu, pra falar a verdade, não sei os detalhes da conversa […] mas o que eu sei com certeza é que houve uma conversa minha com Vladimir Putin, e o que ele disse foi direcionado para a resolução pacífica da situação, isso é muito importante".    

A situação de Nagorno-Karabakh

Ao comentar a situação em torno da região a disputa da região Nagorno-Karabakh entre Armênia e Azerbaijão, o presidente armênio avaliou a possibilidade de um compromisso diplomático entre as partes em conflito. 

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Serj Sargsyan lembrous dos pricípios de resolução para a questão de Karabakh, apresentados ainda em 2007: não uso da força, integridade territorial dos Estados e a igualdade dos povos e seu direito à auto-determinação.  

"Estes princípios de forma alguma contradizem uns aos outros, porque no mundo civilizado, todos os problemas são resolvidos sem o uso da força, especialmente entre os Estados. Eu entendo que existem exceções, mas essas exceções apenas confirmam a regra", observou. 

"Integridade territorial… Reconhecemos a integridade territorial de qualquer país, incluindo o Azerbaijão. Mas a auto-determinação dos povos não contradiz o princípio da integridade territorial, pois a integridade territorial diz respeito à relação entre Estados e a autodeterminação diz respeito à relação entre a capital e o povo, que vive de forma compacta em sua pátria histórica. Se rejeitássemos o princípio da auto-determinação, então não teríamos de sair da União Soviética, isso já aconteceu com base neste princípio. Portanto, esses princípios não se contradizem", avaliou. 

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Nagorno-Karabakh é uma região disputada no Sul do Cáucaso, que formalmente faz parte do Azerbaijão, mas é habitada principalmente por armênios. Na prática, o território é uma província com governo próprio, mas sem reconhecimento da comunidade internacional.

No dia 2 de abril, a Armênia e o Azerbaijão anunciaram uma dramática escalação do conflito na região. Os países trocam acusações e comunicaram de combates na região.

Já no em 5 de abril, a Armênia e o Azerbaijão chegaram a um acordo de cessar-fogo bilateral em Nagorno-Karabakh, que entrou em vigor no mesmo dia.

Crise síria e a ajuda russa

Foi também destacada a participação armênia na ajuda humanitária em Aleppo e no acolhimento dos refugiados sírios, apesar das dificuldades do país em dar conta do número de imigrantes que fogem do conflito sírio. 

"Hoje na Armênia têm cerca de 20 mil de nossos irmãos e irmãs que se transferiram da Síria para o nosso país. E, claro, para eles é difícil, pois eles criaram por décadas seu ambiente, suas famílias, acumularam algo. Além disso, nós tivemos uma grande diáspora lá – temos nossas igrejas, valores culturais […] Em todo o mundo os armênios buscam ajudar não só aqueles que se encontram na Armênia, mas também aqueles que ficaram neste inferno."

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Ao fazer uma avaliação geral da crise síria, em particular a situação na cidade de Aleppo, tendo em vista as divergências entre a Rússia e os países ocidentais sobre o conflito, o presidente armênio demonstrou um tom pessimista para a resolução da situação no país. 

"Definitivamente eu diria que há realmente uma tragédia. O país simplesmente está morrendo […] É claro que nós queremos que a situação seja resolvida rapidamente, que seja resolvida pelo povo sírio. Nós queremos que a solução seja decidida pelo povo sírio. É o seu direito", disse ele. 

O presidente armênio também manifestou apoio à participação da Rússia na ajuda ao governo do país.  

"E o fato de que a Rússia ajudou a Síria a pedido do governo — nós estamos plenamente de acordo. Não pode haver nenhuma questão. É o direito legítimo do governo sírio de pedir ajuda, e o direito legítimo da Rússia de fornecer essa assistência. É claro que nós gostaríamos muito de resolver rapidamente esta questão, embora, como eu posso ver, uma solução rápida é quase impossível de alcançar". 

Por fim, Serj Sargsyan destacou os ideais nacionais da Armênia que o líder gostaria que fossem encarnadas em seu país: 

"No que reside a ideia nacional? Tornar-se um Estado forte. Não ter problemas com o Azerbaijão, nem com a Turquia. Ou seja, eu sonho com o dia em que Karabakh seja, ou parte da Armênia, ou um Estado independente […] Eu quero que nossa fronteira com a Turquia fosse aberta. Eu quero que a juventude turca entenda que ela não é culpada pelo Império Otomano ter feito genocídio contra os armênios".

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