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Senadores se preocupam com Trump em relação a acordo do clima e restrição a imigrantes

© Michael Vadon/Foto PúblicasDonald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos
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A vitória surpreendente de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos foi um dos assuntos mais comentados nesta quarta-feira (9) entre os senadores, em Brasília. Os parlamentares já analisam as consequências da gestão do empresário, especialmente para o Brasil.

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Segundo o presidente da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), a vitória de Trump traz muitas incertezas sobre o posicionamento dos Estados Unidos em relação ao Acordo de Paris, firmado durante a 21.ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP 21), principalmente em um momento em que mais de 55% dos países que assinaram o acordo já ratificaram o documento e que a implementação das medidas está em discussão na 22.ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP 22), que teve início nesta semana em Marrakesh, no Marrocos. 

Fernando Bezerra Coelho destaca que o Partido Republicano sempre foi resistente quanto à medida de combate ao aquecimento global.

"O Partido Republicano sempre teve uma posição de muita resistência a acreditar que o aquecimento global seja uma realidade derivada da atividade produtiva do homem. Portanto, a eleição de Donald Trump representa uma grande incógnita em como os Estados Unidos vão se posicionar na arena internacional em relação a esse tema. Por outro lado, a COP 22 em Marrakesh, que começou essa semana em Marrocos, é um momento muito importante. Mais de 55% dos países que assinaram o Acordo, ratificaram o Acordo e a grande discussão é como implementá-lo, e como monitorar as ações que irão evitar que a Terra possa se aquecer mais de 2ºC até 2050."

A campanha de Donald Trump foi marcada por diversas polêmicas, entre elas a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB -AM), que é procuradora da mulher no Senado, espera momentos difíceis em questões ligadas aos imigrantes e às mulheres, com Trump à frente da Casa Branca. "Quem ganha é alguém que utilizou esse discurso misógino, de discriminação contra a mulher. Quem ganhou as eleições é alguém que defende a expansão dos muros, dividindo os Estados Unidos dos outros países e falando contra a migração."

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), destacou que a vitória de Donald Trump é a 'vitória das forças anti-globalizantes de direita'. O senador ressalta que a imprevisibilidade do empresário é uma preocupação, mas acredita que Trump vai ter dificuldades para cumprir as promessas de campanha.

"Ele é imprevisível. De repente pode dar outra surpresa, mas não acredito, e mudar tudo que falou durante esse período (campanha). O mais provável entretanto, é que ele tente se comportar no governo como um empresário que ele é, achando que não tem que dar satisfações ao Congresso, achando que vai fazer tudo que prometeu e tentar fazer coisas que não vai conseguir." 

Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) avalia que ainda é cedo para saber as consequências da vitória de Trump para o Brasil, como por exemplo, na questão da geração de empregos. "Há muitas formas de trazer os empregos para os Estados Unidos. Uma forma é o isolacionismo, que seria ruim para as relações econômicas com o Brasil, mas você pode criar empregos também estimulando o comércio internacional, o que pode ser bom para o Brasil. Nós temos que esperar um pouco, esperar a poeira assentar e ver quem é o verdadeiro Trump, presidente dos Estados Unidos."

O presidente Michel Temer comentou a vitória de Trump nas redes sociais e ainda enviou nesta quarta-feira (9) uma carta ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, o parabenizando pela vitória, além de desejar 'pleno êxito' ao governo dos EUA. 

Temer ressaltou ainda que os dois países são grandes democracias que possuem 'fortes relações nos mais diferentes domínios', e que está certo de que Brasil e EUA vão trabalhar para estreitar ainda mais os laços de amizade e cooperações entre os povos.

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