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John Pilger fala sobre guerra e propaganda na máquina midiática dos EUA

© AFP 2022 / LEON NEALCineasta e jornalista John Pilger
Cineasta e jornalista John Pilger - Sputnik Brasil
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“Guerra, propaganda, Clinton & Trump”: o prolífico cineasta e jornalista John Pilger fala à rádio Sputnik sobre os interesses da CIA e do Pentágono nas eleições norte-americanas, o papel da Rússia na política externa dos EUA e o papel da mídia na fomentação das guerras.

Durante cerca de uma hora nesta sexta-feira (4), o entrevistado do programa Loud & Clear da rádio Sputnik conversou com Brian Becker sobre seu artigo "Dentro do Governo Invisível: Guerra, Propaganda, Clinton & Trump".

“Esta é uma época muito estranha. (…) É uma era midiática, frequentemente chamada, erroneamente, de era da informação, onde recebemos tanta coisa da mídia, tanta coisa das mídias sociais (…). Então, parece que nós estamos saturados de informação da mídia, mas não estamos. (…) Estamos mergulhados em propaganda”, diz Pilger, ressaltando que nos EUA, supostamente o país com “a imprensa mais livre” do mundo, “a propaganda é simplesmente pervasiva”. 

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Segundo ele, um exemplo disso é o fato de as eleições norte-americanas terem sido “dominadas pela visão da devassidão de Trump”, ou pelo fato de ele ter sido elevado à categoria de “um demônio que se une a demônios estrangeiros”. Clinton, de fato, recorreu à tática de dizer que o candidato republicano Donald Trump é um “peão da Rússia”

Pilger recentemente entrevistou o fundador do Wikileaks, Julian Assange, que lhe confirmou que os e-mails da candidata democrata Hillary Clinton não foram passados à organização pela Rússia, como alegam os EUA. A hipótese, segundo o jornalista, não passa de “propaganda sem sentido”.

“Que a Rússia esteja manipulando a verdade nos EUA – este é o ponto de Julian – é tão absurdo… Isso se degenerou nesta campanha macartista”, afirma o jornalista.

Além disso, Pilger também avaliou por que a CIA, o Pentágono, o departamento de Estado, Wall Street e o próprio partido de Trump estariam apoiando a candidatura de Hillary.

“Isto sugere, com essa variedade de inimigos, que pode haver algo interessante acontecendo aqui. Acredito que eles o querem derrotado não porque achem que ele seja constrangedor – eles não estão nem aí para isso, nem para o tipo de coisas para as quais as pessoas comuns poderiam ligar: seu comportamento privado. Eles só ligam para o fato de que Trump é imprevisível. Ele não é do status quo, não seria um representante confiável da grande máquina de negócios da segurança nacional americana”.

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Pilger, que em 2007 fez um documentário chamado “Guerra contra a democracia”, também falou a respeito do papel dos EUA na virada à direita que ocorreu na América Latina, após uma onda de governos de esquerda eleitos na Venezuela, no Bolívia, no Brasil, no Equador, no Uruguai e na Argentina. 

“Tudo começa com a América Latina”, diz o jornalista. “É ali que os EUA testaram suas ambições como uma potência imperialista mundial. (…). E o aprisionamento da população latino-americana na pobreza brutal foi resultado disso”.

Segundo Pilger, por pouco que esses governos latino-americanos tenham feito para fomentar a democracia e diminuir a pobreza, a desigualdade e a dependência externa, isto se tornou “intolerável para os EUA”.

“No século XIX era diferente”, diz ele, referindo-se às intervenções armadas norte-americanas no continente. “Não tem diferença em princípio” nos dias atuais, acrescenta Pilger.

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