Gibraltar: de base militar estratégica inglesa a destino turístico

© Sputnik / Lucas RohanO que sobrou da história militar de Gibraltar
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Pequeno território britânico concentra atividades militar, portuária e de turismo nos dias atuais, mas já foi uma das mais importantes bases da Inglaterra no Extremo Sul da Europa.

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Gibraltar, o pequeno território ultramarino britânico encravado no ponto extremo sul da península ibérica, é uma colônia atual, já que a península de 6,5 km² está em território espanhol, mas pertence ao Reino Unido há mais de 300 anos. A geografia do lugar, que nada mais é que uma grande rocha à beira da entrada do mar Mediterrâneo, transformou a pequena península em atração turística, para trilhas e interagir com os simpáticos macacos que habitam o local, mas a história do lugar tem um passado – e talvez um presente – militar. 

O território foi cedido pela Espanha à Inglaterra em 1713 como parte do acordo que pôs fim à Guerra da Sucessão. No entanto, ainda hoje a soberania de Gibraltar é reivindicada pela Espanha, mas a população local rejeita qualquer mudança no seu status. A mais recente consulta popular sobre isso foi feita há mais de 10 anos e quase todos (99%) os gibraltinos votaram por permanecer como britânicos. Mais recentemente, no referendo sobre o Brexit, Gibraltar foi o lugar onde o voto pela permanência do Reino Unido da União Europeia ganhou de lavada. Dos pouco mais de 20 mil eleitores, 19.322 disseram não ao brexit e apenas 823 votaram por deixar a UE.

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Durante nossa visita ao local, o único contato com um dos seus 27 mil moradores humanos foi logo na chegada, ao pedir ajuda. Perguntamos, em inglês, ao abordar um senhor cujo rosto já denunciava que era um britânico: "Bom dia, precisamos de uma informação. O senhor fala inglês?". A resposta não poderia ser mais britânica: "Mas é claro, nós somos ingleses aqui." A presença de muitos espanhóis que trabalham no local gerou um novo idioma, o SpaniEnglish. É muito comum, por exemplo, ao perguntar o preço de um produto receber a resposta numa mescla das duas línguas: "Eso sale two fifty".

Mas se os moradores locais não parecem tão dispostos a interagir, os macacos que habitam a pedra fazem muito bem esse trabalho de relações públicas e conquistam a simpatia dos turistas. Durante o passeio pelas estradas militares que cortam as pedras, os visitantes encontram dezenas de macacos que estão tão acostumados aos humanos que não esboçam a menor reação ao serem fotografados. 

© Sputnik / Lucas RohanTuristas tirando selfie em Gibraltar
Turistas tirando selfie em Gibraltar - Sputnik Brasil
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Turistas tirando selfie em Gibraltar
© Sputnik / Lucas RohanCuidado com os macacos! Devagar!
Cuidado com os macacos! Devagar! - Sputnik Brasil
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Cuidado com os macacos! Devagar!
© Sputnik / Lucas RohanRuas de Gibraltar.
Ruas de Gibraltar - Sputnik Brasil
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Ruas de Gibraltar.
© Sputnik / Lucas RohanPonte suspensa para pedestres em Gibraltar.
Ponte suspensa para pedestres em Gibraltar - Sputnik Brasil
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Ponte suspensa para pedestres em Gibraltar.
© Sputnik / Lucas RohanGibraltar - vista de cima.
Gibraltar - vista de cima - Sputnik Brasil
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Gibraltar - vista de cima.
© Sputnik / Lucas RohanPlaca de boas-vindas em Gibraltar
Placa de boas-vindas em Gibraltar - Sputnik Brasil
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Placa de boas-vindas em Gibraltar
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Gibraltar - Sputnik Brasil
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Gibraltar
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Turistas tirando selfie em Gibraltar
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Cuidado com os macacos! Devagar!
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Ruas de Gibraltar.
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Ponte suspensa para pedestres em Gibraltar.
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Gibraltar - vista de cima.
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Placa de boas-vindas em Gibraltar
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Gibraltar
Para conhecer os antigos fortes militares, as baterias do exército usadas para defender o território, o castelo mouro ou os túneis construídos no interior da pedra há a opção de comprar um ticket de tour e será levado por um guia britânico a cada um desses pontos. A maioria dos visitantes de Gibraltar são também britânicos, o que torna o texto decorado pelos guias dos tours um pouco agressivo aos ouvidos de turistas de outras nacionalidades. Outra opção é usar o bondinho que leva a um dos pontos mais altos da pedra e, de lá, vir descendo a pé pelos principais pontos de interesse. 

Ao subir a pedra caminhando, é possível apreciar a paisagem dos vários mirantes pelo caminho e parar para interagir com os macacos. Para acessar os pontos turísticos é preciso desembolsar uma boa quantia (em libras!): cada atração custa 10 libras e algumas, como o túnel militar no interior da pedra, têm capacidade limitada e é preciso comprar com antecedência. Nada é de graça em Gibraltar. Até para ter um mapa turístico do território é preciso pagar 1 libra nas máquinas automáticas instaladas em vários pontos da cidade. 

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Gibraltar deve ser o único lugar britânico onde o euro é aceito normalmente. Não é necessário trocar dinheiro nas casas de câmbio para fazer uma visita turística, pois todos os estabelecimentos comerciais aceitam a moeda europeia. 

Para chegar em Gibraltar só há um caminho terrestre, a Avenida Winston Churchill, que cruza a pista do Aeroporto Internacional, instalado estrategicamente ocupando a única faixa de terra firme que liga o território inglês ao espanhol. No lado hispânico está a cidade de La Línea de la Frontera, coincidentemente uma das mais empobrecidas da Espanha. O acesso pode ser feito por carro ou a pé. Das duas formas, é preciso passar pelo controle de imigração que, neste caso, não é nada complicado. Basta apresentar passaporte na saída da Espanha e no guichê de entrada em Gibraltar. 

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Após vencido o controle de imigração, os visitantes caminham pela avenida Churchill, cruzando a pé a pista do aeroporto e entrando na parte urbanizada de Gibraltar. Um típico telefone público inglês está logo na entrada. Gibraltar é uma reprodução exata de qualquer cidade britânica. Os telefones, as lixeiras, as placas, os letreiros, os bancos de praça são iguais aos das ruas de Londres. 

No centro da cidade os principais lugares de concentração de turistas são o "International Commercial Centre", uma praça ampla com bares e restaurantes, e a "Main Street", a rua comercial que começa nessa praça e segue até o pequeno "Trafalgar Cemetery", onde estão sepultados marinheiros e soldados britânicos que morreram defendendo o lugar. 

Ainda na parte urbana está o Jardim Botânico. Depois desse parque, começa a "Town Area", onde estão o porto, os edifícios militares e os estaleiros. Dos pontos mais altos é possível ver, do outro lado da Baia de Gibraltar, a cidade espanhola de Algeciras e uma infinidade de navios de carga em fila aguardando para acessar o porto. Dois navios de guerra britânicos estavam ancorados no porto de Gibraltar, provavelmente porque a península é um local estratégico de bases da aliança militar do Atlântico OTAN.

© Sputnik / Lucas RohanRuas em Gibraltar
Ruas em Gibraltar - Sputnik Brasil
Ruas em Gibraltar
No extremo sul da península está a universidade local, a Mesquita "Ibrahim-al-Ibrahim", a igreja católica "Shrine of Our Lady of Europe" e o memorial em homenagem ao general polonês Wladvslaw Sikorski, que morreu em um acidente aéreo com outros 15 militares no local em 1943. Um pouco antes fica a bateria de artilharia chamada "Jews' Cemetery Battery", onde estava uma das 14 armas de longo alcance instaladas em Gibraltar nos tempos de guerra. Esse armamento era capaz de alcançar o norte da África, do outro lado do estreito. 

Para chegar no topo da Rock of Gibraltar há duas entradas principais. Uma está justamente no "Jews' Cemetery Battery”, onde começam as estradas asfaltadas militares que levam aos locais de interesse ou o início de uma trilha que costeia a pedra pela face que está virada para o Mediterrâneo. O caminho é muito bonito e seguro, pois a trilha é formada por escadas na pedra e não há como se perder. 

No entanto, o mais indicado é começar a subida pelo Castelo dos Mouros, que está perto da praça "International Commercial Centre". Subindo por ali, a primeira parada pode ser o próprio castelo ou a entrada dos túneis militares (o ingresso custa 10 libras para cada atração). Continuando a subida há o “Military Heritage Center”, um ótimo ponto para observar a vizinha cidade espanhola de La Línea de la Concepción, o aeroporto e o início das praias da Costa do Sol. Nesse ponto já há a presença dos mais simpáticos moradores de Gibraltar: os macacos.

O caminho pelas estradas leva até a grande muralha "Charles V Wall", onde há dezenas de macacos prontos para brincar com os turistas. Nesse ponto as vans turísticas costumam estacionar para permitir que os visitantes tirem fotos com os animais. Acostumados com a presença humana, os macacos mais jovens sobem nos carros, pulam nas pessoas e brincam uns com os outros sem se importar com os flashes.

A partir desse ponto você pode descer pela escadaria da muralha até chegar a outro mirante. Se seguir caminho pela esquerda, vai cruzar a ponte suspensa que permite uma bela vista da Baia de Gibraltar.

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A partir dali, é preciso seguir pela "Ohara’s Road" para chegar até o ponto mais alto da pedra. Lá há um museu e, antes do portão, está a entrada escondida para a trilha que desce a encosta por escadas de pedra, com a paisagem do Mar Mediterrâneo e das montanhas do Marrocos do outro lado do estreito, e chega no "Jews' Cemetery Battery".

Gibraltar só tem explicação se pensarmos que se trata de uma fortaleza construída pela natureza em um local estratégico – a entrada do mar Mediterrâneo. E assim é essa pequena colônia britânica, um lugar que depende das atividades de transporte marítimo e principalmente da presença militar para ter razão de ser. 

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