O que há por trás das palavras mordazes do presidente filipino?

© AFP 2022 / NOEL CELISRodrigo Duterte, presidente das Filipinas
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Líder filipino já entrou na história por suas frases ásperas endereçadas aos líderes mundiais e pela introdução da pena de morte para os traficantes no país. Hoje, Duterte se encontra no Japão em visita oficial.

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Sobre a verdadeira personalidade de Rodrigo Duterte e o que há por trás das palavras do líder filipino falou ao correspondente da Sputnik Japão, Asuka Tokuyama, o professor japonês Wataru Kusaka, especialista em política filipina.

"Nos anos 60, quando o presidente filipino era apenas estudante, ele fazia parte de um movimento estudantil. Rodrigo Duterte é da geração pós-guerra, ele é afetado pelo nacionalismo ultradireita. O professor Jose Maria Sison, mestre preferido de Duterte, mais tarde criou o Partido Comunista das Filipinas. A ideologia deste nacionalismo ultradireita se tornou parte da ideologia de Duterte. A sua ideia consiste em criar umas Filipinas livres da influência americana."

No início, as relações filipino-americanas não eram tão ruins. Houve um período em que os EUA foram parceiros importantes. Mas com a posse de Duterte no poder, os Estados Unidos começaram a criticar o país filipino devido à forma adotada pelo seu líder de combater o tráfico no país. Por isso a atitude antiamericana do líder filipino aumentou: os EUA se comportam de modo arrogante, dando sermões. Segundo Rodrigo Duterte, "[EUA] não me respeitam, por conseguinte não respeitam as Filipinas".

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Wataru Kusaka está seguro de que por trás das palavras mordazes do presidente filipino, esconde-se uma chance significativa da construção de economia filipina sem a intervenção norte-americana.

"Presidente Duterte admira e confia nos líderes fortes. Ele acredita na construção de boas relações com líderes fortes como, por exemplo, o presidente russo, Vladimir Putin. Mas, ainda não está claro como serão relações entre a Rússia e as Filipinas", destaca o professor Kusaka.

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Tudo indica que Duterte se simpatiza com o Japão. Em 24 de outubro, em entrevista exclusiva a NHK, Duterte disse: "Eu quero construir com o Japão um relacionamento tão cordial como o existente entre irmãos. Levo muito em consideração a opinião do Japão". Durante seu discurso de 25 de outubro, ele reforçou sua posição, referindo-se ao Japão como seu "mais importante aliado". No entanto, o Japão se encontrou em situação difícil.

"Os EUA, cujas relações com as Filipinas estão se deteriorando, buscam manter a sua influência sobre as Filipinas através do Japão. Os EUA, provavelmente, chegaram a pedir ajuda ao primeiro-ministro Abe para que as Filipinas não tomassem o lado da China", opina Wataru Kusaka.

Após a visita ao Japão, o presidente Duterte viajará para a Rússia, onde ele se encontrará com o presidente Putin. A questão sobre como será organizada a diplomacia filipina futura ainda permanece aberta.

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