China está à frente dos EUA na questão das ilhas artificiais nas Filipinas

© AFP 2022 / POOLImagem da ilha Thitu, parte do grupo disputado das ilhas Spratley no mar do Sul da China
Imagem da ilha Thitu, parte do grupo disputado das ilhas Spratley no mar do Sul da China - Sputnik Brasil
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O primeiro projeto comercial entre a China e as Filipinas após a visita do presidente filipino Rodrigo Duterte a Pequim deixa antever a grande política.

Foi assim que os especialistas russos comentaram à Sputnik China o contrato firmado entre a empresa estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC) e a companhia Mega Harbour Port and Development Inc. que prevê construção de infraestruturas nas ilhas artificiais.

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A CCCC, que atua em mais de 90 países do mundo, participou da construção de ilhas artificiais no mar do Sul da China para fins da defesa, o que gerou fortes críticas por parte das Filipinas, que foram abertamente apoiadas pelos EUA nesta questão. Neste momento, a CCCC está realizando obras semelhantes no mar junto â costa da ilha filipina de Mindanao. Está prevista a criação de aterros formando quatro ilhas perto da cidade filipina de Davao até final de 2019. O terreno artificial será usado para albergar organizações governamentais, indústrias, residências e terminais portuários.

Nas suas relações com a China Manila aposta no pragmatismo. Uma evidência disso é a recente visita de Rodrigo Duterte à China, durante a qual foi acordada a execução do primeiro projeto conjunto.

Na opinião de Alexey Fenenko, especialista da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Estatal de Moscou, a China fez uma hábil jogada diplomática.

"Penso que neste contexto se vê uma tentativa da China de quebrar a frente unida das Filipinas com o Vietnã", considera Fenenko.

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Segundo ele, os "filipinos ficaram ofendidos com os americanos e agora estão tentando se vingar deles de alguma forma. Este projeto é uma dessas tentativas".

A especialista do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia Elena Fomicheva informou à Sputnik China que o projeto do qual participam a CCCC e a Mega Harbour Port and Development Inc. deve ser examinado somente no contexto do triângulo das relações China-EUA-Filipinas.

Segundo ela, o primeiro passo foi dado por Duterte quando ele fez sua visita à China.

"Respondendo às críticas dos EUA sobre o respeito pelos direitos humanos na luta contra os narcotraficantes nas Filipinas, Duterte declarou que poderá se despedir dos EUA e iniciar a cooperação com a China e a Rússia. E os chineses aproveitaram rapidamente essa ocasião", destaca Fomicheva.

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Na opinião dela, o projeto é um novo sinal de que a China está ultrapassando os EUA na região da Ásia-Pacífico.

Segundo Zhou Jingbo, presidente do conselho executivo da empresa CCCC, o projeto conjunto levará as relações dos dois países para um novo nível qualitativo.

Ao mesmo tempo Chen Shishun, diretor do Centro de Pesquisas do Pacífico Sul do Instituto de Problemas Internacionais da China, afirma que o lado filipino sabe que a China possui vantagens evidentes nas tecnologias de criação de ilhas artificiais. Segundo ele, esse fator desempenhou um papel importante na escolha do parceiro para o projeto.

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