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Estudantes secundaristas já ocupam mais de mil escolas em todo o país

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O movimento de ocupação de escolas e centros de ensino por estudantes secundaristas contrários à reforma do ensino médio e a fixação de um teto para gastos públicos por 20 anos não para de crescer. Só nesta quarta-feira, mais de mil escolas se encontravam ocupadas, segundo balanço divulgado pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES).

Conforme o levantamento, são 995 escolas e institutos federais, 72 campi universitários, núcleos regionais de educação, além da Câmara Municipal de Guarulhos (SP). Há também uma guerra de números entre estudantes e governos. No Paraná, por exemplo, os ocupantes falam em 847 escolas ocupadas, enquanto o governo só contabiliza 792. O Paraná aparece como o estado com maior número de ocupações, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio Grande do Norte.

A Sputnik Brasil ouviu a presidente da UBES, Camila Lanes, que fez um balanço do movimento até agora e mostra a disposição dos estudantes secundaristas em continuar resistindo às medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo federal. Segundo ela, já são mais de 1.108 ocupações de escolas em todo o Brasil. 

"Ontem (terça-feira, 25) teve a portaria ocupada do MEC. É uma grande movimentação contra a Medida Provisória (MP) 746, que vai acabar com o ensino público no Brasil e também contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, que vai congelar todos os investimentos nos setores públicos pelos próximos 20 anos."

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Estudantes dão nota zero em educação ao governo Temer

Na terça-feira, em entrevista à Sputnik, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) procurou tranquilizar os opositores da PEC 241, afirmando que a proposta não vai retirar recursos de áreas básicas como saúde e educação: "Se eu precisar aumentar o gasto com a saúde e a educação acima da inflação em 2018 e 2019, eu posso fazer e até dobrar o gasto desde que eu corte ministérios, cargos, diminua cargos comissionados, deixe de fazer uma ponte, uma obra e invista naquilo que é social e importante."

A presidente da UBES discorda de forma enfática. 

"Essa senadora está mentindo, porque não confiamos no PMDB, o partido responsável por dar o golpe no país. Se ela acha que nós estudantes secundaristas vamos acreditar nessa balela de que, cortando secretarias e reduzindo todos os investimentos que envolvem a estrutura de educação pública de nosso país, isso vai trazer melhorias, ela está muito enganada."

Camila observa que o governo tinha nesta quarta-feira, 26, cerca de 8,5 milhões de estudantes secundaristas inscritos para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — previsto para os dias 5 e 6 de novembro —, mas só são fornecidas 220 mil vagas. Segundo ela, isso significa que só 2,8% dos estudantes que vão concorrer ao Enem este ano vão entrar na universidade. 

"Tudo isso é fruto de uma série de cortes e medidas que o governo federal tem colocado há muito tempo, não só esse governo, mas o outro governo também. Somos contra a MP e contra a PEC 24. Diferente dos senadoes e deputados  que estão sendo convidados para jantares milionários, onde ficam desfrutando de toda a sua riqueza individual, a gente não acredita que uma senadora se convença que o estado em que a administração pública está em nosso país possa melhorar com essa redução dos investimentos. É impossível, fora da realidade. Eu convido essa senadora a visitar uma escola ocupada, uma escola pública para ela ver a realidade das escolas."

Indagada se o movimento de ocupação está sendo reprimido por governos estaduais ou prefeituras, a presidente da UBES diz que  os governos que se opõem a essa movimentação estão tentando fazer isso direta ou indiretamente, criando as milícias 'Desocupa', que estão agredindo os estudantes nas escolas. 

"Ontem (terça) tivemos escolas foram reintegradas à força por esse movimento na base da pedrada. Já tivemos aqui no Paraná, infelizmente, um grave caso com a morte de um estudante secundarista que foi assassinado dentro da escola. Os governos que estão se opondo utilizam várias formas de tentar desestabilizar o movimento, não só pela polícia. A polícia é uma das últimas ferramentas que eles utilizam."

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