Especialista chinês: Filipinas entenderam quem é seu verdadeiro amigo

© REUTERS / Thomas PeterPresidente das Filipinas, Rodrigo Duterte e o presidente chinês, Xi Jinping, em 20 de outubro de 2016
Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte e o presidente chinês, Xi Jinping, em 20 de outubro de 2016 - Sputnik Brasil
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O fato de que China e as Filipinas abriram uma nova página nas relações não pode ser questionada. É o que afirma o diretor do Centro de Estudos para assuntos do Pacífico Sul do Instituto Chinês de Relações Internacionais, Shen Shishun, em entrevista à Sputnik.

A aproximação entre as Filipinas e a China, que vem consolidando um liderança regional e global, preocupa cada vez mais os EUA. O fator americano influencia nas relações entre os dois países, mas de forma limitada, diz o acadêmico.  

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Ao comentar os acordos de cooperação assinados pelos dois países em várias áreas, incluindo um acordo sobre o estabelecimento de uma cooperação entre as guardas costeiras dos dois países, o especialista disse que o mais importante é que Duterte teria percebido que a questão do Mar do Sul da China só pode ser resolvido através de negociações com o lado chinês. 

"Até que o problema [disputa pelo Mar do Sul da China] não esteja completamente resolvido, China e Filipinas poderiam ampliar a cooperação no mar. A China há muito tempo tomou a iniciativa de desenvolvimento conjunto dos territórios em disputa. Além disso, as partes não têm tempo para chegar a um acordo sobre a exploração do mar", disse Shishun. 

Além disso, o especialista destacou que, para além do Mar do Sul da China, são muitas áreas que os dois países podem cooperar. 

"Analisando a visita do líder filipino à China, é importante notar que Duterte claramente percebeu quem é o verdadeiro amigo de seu país. Estou certo de que ele já conseguiu extrair algumas lições da situação internacional como um todo e da turbulência política em alguns países", afirmou. 

Segundo ele, a China tem um papel muito importante na arena internacional e o presidente filipino também reconhece a importância que uma série de iniciativas chinesas tem para os países da ASEAN. 

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Entre elas, Shishun citou a criação de infra-estrutura do Banco Asiático de Investimento, a estratégia do Cinturão Econômico da Rota da Seda, a zona de livre comércio da China e os países da ASEAN. 

Ao falar da influência do 'fator norte-americano' nas relações entre China e Filipinas, o especialista falou que os EUA o grau de interferência de Washington sobre as relações bilaterais dos dois países é limitada. 

"No passado, as Filipinas se prenderam unilateralmente aos EUA na política externa, o que levou a uma paralisação das relações com a China. Agora, Manila reconhece a importância da interação com a China e observa a posição construtiva adotada pela China: não pega o exemplo das superpotências, incessantemente criando problemas, caos e desordem em todo o mundo, mas em vez disso está pronta para dar a cada país a possibilidade de desenvolvimento", destacou. 

"É possível supor que os Estados Unidos irão evitar tal desenvolvimento, continuando o curso de 'reequilíbrio' da sua política na região Ásia-Pacífico. No entanto, se Washington não tomar nenhuma atitude construtiva e criar o caos, isso só vai acentuar ainda mais a imagem negativa dos Estados Unidos", concluiu. 


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