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'Sou Vladimir Putin': como a desinformação na mídia ocidental mutila vidas

© AFP 2021 / NICHOLAS KAMMExemplar da revista Newsweek em uma loja em Washington, EUA, 2014 (foto de arquivo)
Exemplar da revista Newsweek em uma loja em Washington, EUA, 2014 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A desinformação intencional efetuada por jornalistas habitualmente confiáveis e pela mídia tradicional pode impactar vidas humanas, como aconteceu com Bill Moran. Eis o que ele contou.

"O meu nome é Bill Moran, sou ex-autor e editor no escritório da Sputnik News em Washington. Nasci no Arizona, formei-me na Universidade de Georgetown <…> e sou um simples homem de 29 anos que sempre tive a esperança secreta de me tornar jornalista da imprensa escrita.

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Quando recebi a proposta de escrever para o site da agência em fevereiro deste ano – o sonho realizou-se. Trabalhava muito, ia mesmo ao trabalho em meus dias de folga para estar seguro de que as matérias tinham a melhor qualidade possível. Este trabalho deu resultados – em julho tornei-me editor de fim-de-semana no escritório em Washington.

Agora compreendo que o trabalho de que gostava tanto e que, na minha opinião, realizava bem já pertence ao passado.

No dia de Colombo (10) cometi um erro embaraçoso. Notei uma série de tweets que atribuíam palavras sobre o escândalo em Benghazi a Sidney Blumenthal. O documento original da WikiLeaks ao qual estava relacionado o artigo original era muito comprido – 75 páginas. Examinei o documento à pressa, mas não o li todo.

Por ser feriado, era o único funcionário no escritório em Washington. Escrevi 12 histórias no período de 12 horas e corrigi mais cinco matérias de dois autores que trabalhavam à distância <…>.

Fazia tudo de forma rápida e fiz um erro por causa do qual ainda estou embaraçado. Saí para fumar um cigarro depois de colocar várias matérias nas redes sociais <…>, depois dei uma mais olhada ao documento, compreendi que tinha feito um erro e removi a matéria.

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A história permaneceu no site das 3h23 até às 3h42 e ganhou 1,061 visualizações antes de ser removida – queria pedir desculpas aos leitores do fim-de-semana por ter cometido esta falha <…>.

Agora sou Vladimir Putin. Pelos menos, é o que Kurt Eichenwald e a Newsweek pensam.

Eichenwald escreveu uma matéria publicada às 7h45 intitulada 'Caro Donald Trump e Vladimir Putin, não sou Sidney Blumenthal' em relação ao meu erro  <…>.

No seu artigo, ele escreve que se trata de 'ainda mais uma prova' da ciberguerra russa realizada pela agência 'controlada pelo governo russo' (que não é verdade, somente financiada) que alterou (este aspecto repete algumas vezes) documentos da WikiLeaks antes de passar informações para Donald Trump <…>.

O problema é que Eichenwald, editor-chefe da revista Newsweek <…> sabe que toda esta história não corresponde à verdade. Na terça-feira (11), contatei Eichenwald e os editores da Newsweek para informá-los sobre os erros no artigo e contar a história verdadeira. Também contatei Eichenwald no Twitter, explicando de forma cautelosa os detalhes, mas ele bloqueou a minha conta. Na quarta-feira (12), fui demitido. A minha colega criticou Eichenwald por me bloquear e não alterar o artigo."

Entretanto, isso não é o fim da história de Bill Moran. Eichenwald realmente contatou-o oferecendo ajuda para encontrar um novo trabalho. Entretanto, depois de pensar, Moran decidiu não se vender e ignorar a verdade em troca de uma boa carreira. Eichenwald ofereceu a Moran tornar-se observador político da publicação New Republic.

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Na conversa com Moran, Eichenwald disse que, se ele divulgasse as informações sobre tudo, isso arruinaria a sua carreira.

"O problema é que o novo emprego não transformará a ficção em fatos. Ele compreendeu a história de forma errônea. É tudo."

Quanto aos outros erros cometidos pela Newsweek, a versão inicial do artigo dizia que a Sputnik removeu o artigo depois de ter visto que foi cometido um erro. A versão que foi divulgada mais tarde supôs que a publicação contatou a Sputnik antes de retirar a matéria. A versão atual diz que a Newsweek tentou contatar, mas Moran não recebeu nada parecido.

"Segundo, a publicação não é 'controlada pelo Kremlin'. Não falo a Vlad [Vladimir Putin] todas as manhãs com uma chávena de café. A agência recebe financiamento do governo russo, mas ninguém nunca me disse o que escrever", disse Moran.

E mais: a publicação não alterou o documento da WikiLeaks. A matéria mesmo tinha o link para o documento original.

Agora o jornalista vê o seu futuro sendo alvo de críticas perpétuas. Escreveu 813 matérias para a Sputnik e o único erro e informações incorrectas, intencionalmente publicadas na Newsweek, levaram a uma histeria.

Entretanto, depois de rever a situação a Sputnik ofereceu mais uma vez trabalho para Moran, mas ele recusou.

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