Crimes de guerra e ataques: acusações e desmentidos na guerra da Síria

© AP Photo / Hassan AmmarBandeira síria esvoaçando enquanto os carros seguem por ponte durante a hora de ponta, Damasco, Síria, 28 de fevereiro de 2016
Bandeira síria esvoaçando enquanto os carros seguem por ponte durante a hora de ponta, Damasco, Síria, 28 de fevereiro de 2016 - Sputnik Brasil
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A tensão em relação ao conflito na Síria se agravou ainda mais quando o deputado britânico Andrew Mitchell comparou a intervenção militar russa à dos nazistas durante a guerra civil na Espanha. Moscou rejeitou tais declarações.

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Antes dos debates na Câmara dos Comuns do Reino Unido sobre a situação na Síria, Mitchell disse que a Rússia minou o direito internacional através de ajuda militar ao presidente sírio Bashar Assad, comparando as ações de Moscou às dos fascistas da Alemanha e Itália nos anos de 1930.

"Estamos testemunhando acontecimentos que correspondem ao comportamento dos regimes nazistas em Guernica na Espanha", disse Mitchell se referindo ao fato de que a Rússia usou seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear propostas que visavam parar os ataques aéreos em Aleppo.

"Eles estão destruindo as Nações Unidas e sua capacidade de agir, de mesma forma os alemães e italianos destruíram a Liga de Nações nos anos 1930."

Rússia

Estas declarações foram feitas no meio de aumento da retórica pelo ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Marc Ayrault, que afirmou ir exigir uma investigação às ações russas na Síria através do Tribunal Internacional de Justiça.

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A Rússia negou as acusações de crimes de guerra dizendo que seus ataques aéreos nunca alvejaram infraestruturas civis e acusou as forças rebeldes de continuarem os combates e de minarem a chance para a paz em Aleppo e outras partes do país.

Os críticos argumentaram primeiro que o objetivo da Rússia na Síria era consolidar as posições do seu aliado – o presidente sírio Bashar Assad, que é acusado de ataques contra civis durante a guerra.

Entretanto, Moscou respondeu que suas ações são justificadas porque são legítimas, e que apoiam um governo internacionalmente reconhecido, notando que as autoridades ocidentais apoiaram uma série de grupos rebeldes que seguem a ideologia islamista.

O Ocidente

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Enquanto a Rússia tem sido acusada de crimes de guerra, a coalizão internacional liderada pelos EUA também é acusada de violar o direito internacional.

Os críticos também notaram que a estratégia ocidental na Síria não é perfeita e que treinar e armar a chamada oposição “moderada” é um caminho perigoso que pode prolongar ainda mais o conflito e fazer com que mais grupos rebeldes se juntem ao Daesh.

As críticas também se referem aos ataques contra civis. Por exemplo, um ataque em maio contra um povoado perto de Aleppo que levou as vidas de mais de 50 civis.

No mês passado, o Ministério da Defesa da Rússia acusou os EUA de esconderem que têm encoberto o fato de que alguns grupos rebeldes abriram fogo contra bairros residenciais.

Ao mesmo tempo, a coalizão liderada pelos EUA defendeu suas ações dizendo que as forças rebeldes precisam de ajuda na sua luta contra o Daesh e o governo de Assad.

Curdos

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Enquanto as forças curdas foram elogiadas por suas ações eficientes contra o Daesh no terreno e a sua atitude liberal perante o governo, até mesmo alguns grupos curdos são acusados de crimes de guerra na Síria e no Iraque.

Um relatório da Anistia Internacional divulgado anteriormente declarou que algumas das forças curdas estiveram envolvidas na tomada de territórios e em uma espécie de limpeza étnica e da destruição de alguns povoados árabes.

Vários grupos curdos colaboraram com o Ocidente, a Rússia e o governo sírio, enquanto defenderam suas ações dizendo que somente tomaram o controle de certos povoados para evitar a expansão do Daesh.

O conflito de cinco anos e meio já levou as vidas de 400 mil pessoas e desalojou mais de quatro milhões, segundo os dados da ONU.

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