Ibéria Unida? Partido deseja juntar Espanha, Portugal e Andorra

© AP Photo / Francisco SecoBandeiras de Portugal e Espanha em balcões numa rua estreita em Lisboa
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Dois pequenos partidos políticos, mas ambiciosos, Iber da Espanha e Movimento Ibérico de Portugal, uniram-se para um objetivo comum: unificar a Península Ibérica, ou seja, os territórios da Espanha, de Portugal e de Andorra, levando-os a ter mesma filosofia baseada em um futuro sem fronteiras e desenvolvimento tecnológico sem perda de identidade.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Mundo, Casimiro Sánchez Calderón, ex-prefeito de Puertollano e líder do partido político transnacional, explicou que a ideia de unificação da península Ibérica não é recente e possui suas raízes na história, divida por todos os territórios integrantes, quando especialmente no século XIX, houve uma guerra pelo iberismo. Assim, o papel dos partidos ibéricos da Espanha e Portugal é trazer de volta esta "antiga ideia". 

"O que estamos fazendo é atualizar essa ideia. O pensamento é novo porque os tempos são novos, os tempos mudaram. Fazemos parte de um mundo globalizado que apresenta desafios impensáveis há alguns anos e estamos testemunhando a quarta revolução industrial, mais rápida e também muito mais destrutiva do que construtiva", disse o ex-prefeito. 

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Uma Ibéria unida 

"O que pretendemos fazer com a reunificação da Península Ibérica é acabar com a fragmentação do ser humano […] e a fragmentação dos territórios. […] Se o mundo já não tem fronteiras econômicas, por que deve ter fronteiras políticas, já que o mundo funciona dentro da globalização?", explica Sanchez Calderon. 

União ibérica na UE 

Claro, a ideia de uma península Ibérica unida traz a questão do seu papel no contexto da atual União Europeia. Para Sanchez Calderon, uma península Ibérica unida "traria um equilíbrio maior entre França, Itália e Alemanha com a península" e seria uma aliada dentro da união, um incentivo econômico e político dentro da organização. 

"Queremos um Banco Central Ibérico. O que estamos tentando criar é um banco central forte, mas dependente do Banco Central Europeu, assim, fortaleceria muito mais a União e as suas medidas, mas também nos daria uma autonomia maior." 

Papel internacional da Ibéria

Entretanto, fortalecer os laços entre o Sul da Europa e o Norte da Europa não é o único objetivo dos partidos ibéricos. 

"Somos descendentes da cultura grega e da cultura latina. Queremos fortalecer os laços. Nós não vamos parar apenas em Andorra, Espanha e Portugal porque o que queremos realmente é fortalecer a Comunidade Latino-Americana das Nações em que entrarão todas as nações da língua portuguesa e espanhola na América, na África, na Ásia etc."

Ideologia do novo partido 

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Em geral, Sánchez Calderón fala sobre seu plano ibérico como uma formação política que rompe os esquemas habituais – de esquerda, direita, ou central, aos quais estamos acostumados na democracia representativa atual. 

"Nascemos para a união. […] Somos um partido focado nos problemas do povo da Ibéria e dos povos da Rússia, da China, da Colômbia e de todo o mundo. Nós nascemos como um partido para unir, somos um grupo de paz. A guerra tem de acabar no mundo."

É por isso que o político está disposto a buscar a união com os povos, exceto aqueles que "defendem a ditadura ou regimes autocratas que não buscam o entendimento". 

"Até que ponto podemos dizer que evoluímos e que somos seres evoluídos, se ainda nos comportamos como homens guerreiros, se continuamos como na pré-história quando tribos lutavam umas contra as outras?” 

Projeto político a longo prazo

Casimiro Sanchez Calderon está ciente de que uma união desta dimensão não pode ser criada da noite para o dia; pelo contrário, para ele este é um projeto do século XXII: 

"Nós nos lançamos nesta aventura com muitas prevenções. […] A união é um processo muito longo. É um princípio que deve ser muito claro."

Por enquanto, Sanchez Calderon está lançando as bases do que, para ele, será o futuro da Espanha, Portugal e Andorra. De acordo com o político, estudos da Universidade de Salamanca garantem que 50% dos Portugueses e espanhóis estariam dispostos a aderir à União. 

Ainda assim, o político acredita que um novo país, nomeado de Hispania ou de Iberia, será possível, e que serão "as gerações futuras que vão determinar o sistema de governo, a Constituição etc". 

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Sánchez Calderón está preocupado com o fato de que a Península Ibérica é hoje testemunha, mas não uma participante, do avanço tecnológico no mundo:

"A quarta revolução industrial é um trem que viaja a uma velocidade vertiginosa e nós [a Península Ibérica] estamos perdendo esse trem.”

Nesse sentido, o político acredita ser necessária a criação de base, uma força comum com objetivos claros. 

No entanto, uma mudança tão radical, a luta contra a fragmentação e o trem da revolução industrial trazem uma responsabilidade política e moral: 

"A máquina nunca pode estar acima do homem e devemos ter força moral para pôr fim a essa possibilidade." 

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