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Brasil esvazia o Mercosul; próximo passo são os BRICS?

© Miguel Rojo/AFPMercosul Brics
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Mais do que uma visita relâmpago de 12 horas à Argentina e ao Uruguai na segunda-feira, 3, a viagem do presidente Michel Temer representa uma guinada do país em relação ao futuro do bloco, que começa a ser esvaziado. Para alguns analistas, o próximo passo seria o da manifestação do desinteresse do Brasil em relação aos Brics.

Um dos nomes que compartilha dessa tese é o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), um dos membros da delegação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) e que nos últimos anos acompanhou de perto os esforços do Brasil de diversificar suas parcerias comerciais. Falando com exclusividade à Sputnik Brasil, Pimenta se mostra apreensivo em relação a guinada de Brasil, Argentina e Paraguai dentro do bloco e também quanto a inserção efetiva do Brasil no âmbito dos Brics.

"Estamos vivendo um processo visível de enfraquecimento do Mercosul. Todo o esforço que estava sendo feito no sentido de fortalecer o Mercosul e ao mesmo tempo consolidar os Brics — como uma alternativa a um mercado promissor, novo, que pudesse estabelecer novas relações econômicas — perde potência porque temos no Brasil uma posição que não só caminha no sentido de enfraquecer essa possibilidade como também busca um alinhamento direto com os Estados Unidos que não interessa aos Brics."

Pimenta diz que a postura de Argentina, Brasil e Paraguai, negociando acordos em separado do bloco, também reduz as chances de o Mercosul se viabilizar. Segundo o parlamentar, como o Brasil tem poucos acordos consolidados, o futuro do Mercosul depende também de um pacto comercial de longo prazo com os Brics que viabilize uma alternativa econômica para a América do Sul. 

Com relação às negociações que estão sendo retomadas entre Mercosul e União Europeia, paralisadas há mais de duas décadas, Pimenta se mostra cético quanto às chances de um acordo.

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"Acho improvável. Historicamente tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia tem estabelecido conosco uma relação de natureza quase colonial, exigindo que nossa participação e integração no comércio mundial se dê na venda de commodities sem qualquer tipo de agregação de valores. Na parte da agricultura é ainda extremamente restritiva, do ponto de vista de cotas comerciais, exigências sanitárias com o sentido de se tornarem barreiras econômicas."

Pimenta teve a oportunidade de acompanhar o presidente Lula no Oriente Médio, esteve em duas oportunidades na África do Sul, na China e na Rússia, vendo de perto todo o esforço de se abrir a possibilidade de venda de carne suína, bovina e frango para esses países, a fim de criar um mercado alternativo que colocasse o Brasil fora da posição subalterna imposta pelos EUA e pela Comunidade Europeia. 

"O problema é que o movimento do Temer vai no sentido de recolocar o Brasil de cócoras, desfazendo toda essa política de autonomia onde o Brasil ajudava o Mercosul."

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