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Brasil volta ao FMI, mas a visita é só de cortesia

© Mandel Ngan/AFPFMI missao
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Na próxima semana, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, viajarão a Washington para participar da assembleia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird).

A notícia e a divulgação do relatório do Fundo sobre o momento atual da economia brasileira suscitaram apreensões de parte dos movimentos de oposição ao governo Temer de que o país poderia estudar a possibilidade de pedir um novo empréstimo ao Fundo ou promover maior reaproximação do país ao órgão.

O professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Mauro Rochlin garante que o motivo é outro: apenas uma visita formal de agenda, assim como farão ministros e presidentes de bancos centrais de outros países.

"O Brasil tem hoje reservas internacionais sobrando, na casa dos US$ 400 bilhões, ao contrário da Argentina, que poderia vir a precisar. A Argentina, há pouco tempo, conseguiu acertar um acordo com os fundos abutres, e a demanda pelos títulos argentinos foi muito maior do que a oferta, o que possibilitou a Argentina se capitalizar em termos de reservas, que hoje se aproximam dos US$ 60 bilhões, que é um número expressivo se você considerar as transações correntes da Argentina que são em muito menor volume do que as do Brasil."

Notas de real (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
FMI afirma que situação econômica do Brasil não é tão má quanto parece

Rochlin lembra que, no caso do presidente Juscelino Kubitschek, na década de 50, o Brasil estava muito endividado na época com bancos internacionais, suspendeu pagamentos a bancos e precisou recorrer ao FMI. Quando foi criado em 1944, no âmbito do acordo de Breton Woods, nos Estados Unidos, o banco tinha justamente essa finalidade: emprestar dinheiro para os países membros, quando sofressem desequilíbrio no balanço de pagamentos. Isso aconteceu com o Brasil nas décadas de 60 e 80 e na de 90.

A última vez que o Brasil recorreu a uma linha de empréstimo do Fundo foi em 2002, na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso. A partir do primeiro mandato do presidente Lula e até hoje, o Brasil não precisou tomar mais crédito do FMI. Pelo contrário. Até se tornou credor, quando comprou US$ 10 bilhões em bônus em 2009, parte de uma operação mundial dos países membros para reforçar o caixa da entidade.

Rochlin lembra que, para liberar empréstimo a um país, o FMI estabelece condicionalidades que sempre impõem a adoção de políticas recessivas, que acabam por favorecer a exportação. Empresas de país em recessão têm que buscar mercado externo para conseguir sobreviver. Já as importações caem, reflexo do menor consumo interno. O objetivo é se obter um fluxo cambial favorável. Segundo o professor, o Brasil não tem esse problema. O desafio é fiscal. 

Rochlin classifica como "asneira e desconhecimento factual" as afirmações de que o Brasil está abrindo mão de sua soberania conversando com o FMI.

"É um discurso completamente desconectado da realidade, é muito mais uma retórica para reforçar o discurso ‘Fora Temer’."

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