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Declarações de ministro da Justiça colocam em dúvida blindagem da Polícia Federal

© Marcelo Camargo/Agência BrasilMichel Temer e Alexandre de Moraes
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Ao participar de evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito de Ribeirão Preto (SP), no último domingo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse a jornalistas que se preparassem, para novos episódios na Operação Lava Jato.

Na segunda-feira, a Polícia Federal prendia o ex-ministro da Fazenda Antonio Pallocci.  O episódio repercutiu mal e levou o presidente Michel Temer a convocar Moraes para prestar esclarecimentos sobre a declaração. Para muitos analistas, ficou a sensação de que o ministro da Justiça está a par de todas as operações da Polícia Federal, e que há a possibilidade de orientação quanto às investigações feitas pelo órgão.

Após ouvir as explicações do ministro, Temer deu por encerrado o caso. Mesmo assim, a Comissão de Ética da Presidência da República deu um prazo de dez dias para que o ministro esclareça as declarações.

Para o cientista político e professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Kramer, a declaração de Moraes é particularmente grave por duas razões. A primeira porque a Polícia Federal é um órgão vinculado à pasta que ele dirige. 

"Por uma necessidade de autonomia operacional e para que ela possa desenvolver sem interferências políticas o seu trabalho, a Polícia Federal não pode informar ao chefe, no caso o ministro da Justiça, quando e onde ela vai desencadear uma nova etapa de investigações."

O segundo agravante, na avaliação de Kramer, foi o fato de que o ministro fez as declarações no reduto político tradicional do ex-ministro Palocci, que foi prefeito de Ribeirão Preto (SP).

"No dia seguinte a Federal vai e prende o Palocci. Isso para muita gente coloca em dúvida a autonomia, a blindagem da Polícia Federal em relação a pressões políticas governamentais ou não."

Kramer lembra que esta não foi a a primeira vez que o ministro se mete nesse tipo de confusão. No início do governo interino de Temer, ele deu uma declarações referentes ao Ministério Público que ele, e portanto o governo, seriam favoráveis a uma limitação de autonomia dos procuradores do MP. Ele foi repreendido por Temer, o que gerou a tradicional onda de desmentido, o que não ficou bem.

"Como você tem, além do PT, muitos políticos envolvidos nessas investigações, há uma coisa que não mudou, mesmo tendo mudado o governo: a ansiedade e a ilusão dos políticos que estão na mira dos investigadores no sentido de eles querem controlar o caminho dessas investigações. Eles não conseguem e ficam muito nervosos. A gente sabe que no governo Dilma houve pressões não muito sutis do PT sobre o ministro da Justiça, o José Eduardo Cardozo, no sentido de que ele controlasse as investigações, o que ele não atendeu, alegando que a autonomia da Polícia Federal é o preço da credibilidade que o órgão paga à sociedade brasileira."

O cientista político diz que os brasileiros esperam que as investigações sigam seu curso, vão para onde tenham que ir sem nenhum tipo de interferência político-partidária, quer do governo, quer da oposição. 

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